Poderá estar a pensar que numa altura destas, o melhor seria apresentar aqui o ensaio ao 116d ou ao 118d, mais baratos. Todos eles estão equipados com o bloco 2.0 litros turbodiesel, mas no caso do 116d a potencia fica-se pelos 115 CV e no 118d chega aos 143 CV. Se no que toca ao preço, o 116d é mais barato, fica claramente aquém das necessidades em termos de andamento, mesmo que não seja nenhum molengão. Custa 31.950 euros e será, provavelmente, o mais desejável. Mas, para mim não tem características suficientes para um BMW.
Já o 118d é diferente. Os 143 CV são muito mais interessantes e conferem a este BMW outro fulgor. E antes de seguir para o ensaio ao 120d com 183 CV, vou aqui debruçar-me um pouco sobre o 118d e depois comparar os dois.
O preço de 33.860 euros (ou seja, apenas 1910 euros de diferença) é convidativo e representa um esforço relativamente pequeno em relação ao 116d. Por isso é que decidi falar um pouco deste 118d e esquecer o 116d. Mais potencia, semelhante nível de consumos e emissões, justificam perfeitamente o diferencial de preços. Em termos dinâmicos, o 118d chega dos 0-100 km/h em 8,9 segundos, assegurando emissões de 118 gr/km e um consumo médio de 4,5 l/100 km, com uma velocidade máxima de 212 km/h.
O estilo do novo série 1 mudou bastante, apesar de não parecer. A maior diferença é mesmo o nariz de tubarão, a frente inclinada e saliente já conhecida de outros modelos da BMW e uma das notas do estilo de Adrian van Hooydonk. Os faróis rasgados conferem um ar desafiador ao série 1 e na traseira, os faróis são mais consensuais, a tampa da mala deixa de parecer ter sido pontapeada e o série 1 deixou aquele aspeto “marreco” que sempre me impediu de gostar do Série 1. Na lateral, os puxadores das portas estão subidos e a linha de cintura é agora em cunha e desapareceram as tortuosas linhas convexas, sendo agora as embaladeiras menos proeminentes.
Esta situação é devida a utilização de uma nova plataforma partilhada com o Série 3 que, naturalmente, conserva a arquitetura motor dianteiro longitudinal, tração traseira. Contas feitas, o série 1 está mais comprido 8,5 centímetros, mais largo 1,7 cm e curtos 3 cm entre eixos. Objetivo? Combater a maior critica ao modelo, a falta de espaço.
Fita métrica na mão, consegui comprovar que o interior do Série 1 está maior e menos claustrofóbico, mas... continua longe das referencias do segmento como o VW Golf e outros modelos mais pequenos. Ainda por cima, o enorme túnel central de transmissão limita a habitabilidade a 4 pessoas.
Já a mala ganhou 30 litros e tem agora 360 litros, já mais consentâneo com a média do segmento. Melhor, também, a qualidade dos materiais e da construção, com um estilo tipicamente BMW, ou seja, algo aborrecido. Mas com tudo no local certo, legível e intuitivo. Escusado será dizer que o volante é excelente, os bancos suficientes em termos de apoio e a posição de condução suficiente.
Até aqui, 118d e 120d são iguais, até no sistema EfficientDynamics que conta com o modo Eco Pro, que ajuda, e de que maneira, a poupar combustível e na caixa manual de seis velocidades. As diferenças estão nos motores e nas performances. E aqui, grande surpresa!
Como referimos, o 118d debita 143 CV, o 120d chega aos 184 CV (diferença de 41 CV), mas no exercício dos 0-100 km/h, o 118d cumpre-o em 8,9 segundos e o 120d em 7,2 segundos, ou seja, o primeiro é mais lento 1,7 segundos, com uma velocidade máxima de, respetivamente, 212 e 228 km/h (diferencial de 16 km/h). Até aqui, nada de extraordinário com o modelo mais potente a sobrepor-se ao menos potente.
Mas quando olhamos para os valores dos consumos e das emissões, oh! enorme surpresa: o 120d consome, em média, 4,6 l/100 km, emitindo 122 gr/km, o 118d gasta 4,5 l/100 km e emite 118 gr/km. Na vida real, os valores são outros, pois nas medições que efetuei, o 120d não faz melhor que os 7,1 l/100 km e o 118d fica-se pelos 6,5 l/100 km. Ou seja, o diferencial em termos de performances e nos consumos, é altamente favorável ao 120d. E ambos podem contar com o programa Eco Pro, que reduz o consumo ao gerir de forma eficiente o sistema de refrigeração, a regeneração de energia obtida na travagem e no travão motor e ainda a função Stop/Start. Curiosamente, no painel de instrumentos, é indicado ao condutor aquilo que poupou ao utilizar o EcoPro em termos de autonomia.
No que concerne o comportamento, o Série 1 está diferente. Com vias mais largas e direção com assistência elétrica, perdeu-se algum daquele entusiasmante comportamento. É verdade que agora são melhor controlados os movimentos da carroçaria, as vias mais largas travam a sobreviragem, que o peso parece estar bem dividido entre os dois eixos e que o chassis suporta muita carga quando o andamento aperta, nomeadamente, com o 120d.
Porém, ao contrario daquilo que esperava, o 120d, por exemplo, não é tão entusiasmante como outrora e na comparação com modelos do mesmo calibre com tração dianteira... o 120d não é assim tão superior. Perdeu-se alguma fluidez e a verdade é que a BMW pode louvar a tração traseira do Série 1 e as suas qualidades dinâmicas, mas o Série 1 está é mais burguês que dinâmico, embora seguro e eficaz.
Veredicto
Afinal, qual escolher? Ainda não lhe disse, mas o 120d – que diga-se, gostei muito pelo impressionante fôlego e pela capacidade de ser económico como não esperava – custa 38.180 euros. O que é mais 4320 euros que o 118d. Ora, por muito que goste mais do 120d, que acaba por ser quase tão económico como o 118d, com maiores capacidades em termos de performance, reconheço que nos tempos que correm, o 118d é um melhor negócio. E se é verdade que o Série 1 tem agora mais espaço que antes, continua a estar longe das referencias do segmento nesse particular e no comportamento não melhorou e foi apanhado por alguns dos melhores tração à frente do segmento. Está mais refinado, com maior qualidade, mas confesso que quase 40 mil euros pelo 120d leva a inclinar-me claramente para o 118d.
José Manuel Costa