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    Mazda MX3 1.8: revisitar um clássico

    Pode parecer estranho ensaiar um carro que tem muito pouco de novidade, mas revisitar um clássico é sempre bom e nesta altura de crise então...

    12-11-2012 12:08:12

    Um carro que já tem mais de vinte anos de vida com ligeiras atualizações tem de ser bom, necessariamente. Ainda por cima, é um verdadeiro ícone que se pode colocar em bicos de pés e alinhar-se com o Porsche 911 ou até o VW Carocha. Chegou até aos nossos dias e com o mesmo pragmatismo com que a Mazda o revelou no Salão de Chicago de 1989 – ostentando como pilares o baixo peso, simplicidade mecânica e prazer de condução – já vendeu mais de 1 milhão de unidades. Não sei se sabe, mas está à venda em Portugal por menos de 30 mil euros.

    O MX-5 Miata, nome pelo qual ficou conhecido e nome que ainda hoje é usado nos EUA, é um caso de paixão não correspondido, pois nunca tive a oportunidade (leia-se dinheiro) para ter um MX5, seja ele da primeira ou da derradeira evolução. Felizmente alguns vão-me passando pelas mãos e este exemplar alvo deste ensaio, pertence à última geração do MX5 e só por isso merece ser revisitado.

    Olhando assim de forma desapaixonada, não faltam ao MX-5 coisas para criticar. O habitáculo é acanhado e a posição de condução está longe de ser perfeita. Não tem muitos dos “gadgets” dos rivais, como a abertura elétrica da capota, por exemplo. A bagageira é curta com apenas 150 litros e o motor é um bloco de 1.8 litros atmosférico com apenas 126 CV.

    Mas... A capota fecha e abre manualmente com um fecho colocado junto à zona das luzes de cortesia e basta mandar a capota para trás para deixar o MX-5 aberto. É mau? Nada! Além de ser fácil de abrir e de prender (é só fazer força para baixo) não rouba espaço à bagageira e sendo em lona acaba por não provocar ruídos parasitas.

    A bagageira é curta, mas quem tem um carro destes preocupa-se com a capacidade da mala? Eu não e acredito que quem gosta do MX-5 também não. Ainda por cima só há dois lugares e por isso não é preciso perder muito tempo com esta questão.

    O Mazda MX-5 não é muito ágil em cidade, pois direção, caixa e embraiagem são duros e com a capota fechada, não se tem muito bem a noção onde estão os extremos da carroçaria. Fica evidente que o pequeno roadster grita por outro ambiente e como sou boa pessoa... fiz-lhe a vontade.

    Infelizmente o motor é pouco vivaço e só acima das 5000 rpm se começa a sentir algum nervo. O que provoca algumas dificuldades na recuperação da aceleração, juntando-se à festa relações de caixa alongadas para reduzir no consumo. Dai que seja preciso usar a caixa muitas vezes, o que acaba por nem ser mau de todo, pois o comando é preciso e justinho, com um curso curto.

    Depois, o MX-5 é um exemplo de rigidez num carro descapotável, tem um excelente comportamento onde a tração traseira faz milagres e deixa um sorriso nos lábios a qualquer um e ainda por cima, não é totalmente desconfortável.

    Veredicto
    O Mazda MX-5 custa apenas (e com muitas aspas o apenas...) 30 mil euros, não tem as modernices dos atuais modelos e sofre com alguns problemas próprios da sua idade já trintona, porque a marca japonesa não lhe quis estragar o ADN. E fez muito bem, pois o MX-5 é assim o melhor roadster deste género, continua a ser altamente sedutor e desejável e fpi com enorme tristeza que o tive de deixar ir embora. Um dia quando este país for uma nação de sucesso, irei satisfazer a paixão e ter um MX-5, seja ele qual for. Se pode ter um, apesar de ficar roído de inveja, faça o favor de o comprar e ser feliz ao seu volante no meu lugar. Eu desculpo-o...

    José Manuel Costa

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