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    Mercedes ML350 CDI: o bom ficou melhor...

    Gostos não se discutem e apesar de entender que está menos agradável à vista que o anterior decidi ensaiar este ML 350 CDI para responder à pergunta de um milhão de euros: está melhor que o antecessor?

    27-08-2012 10:09:02

    Feito a partir de uma nova plataforma, o novo ML oferece agora suspensão de duplo triângulo à frente e multibraços atrás, à boa maneira de uma berlina... Ou seja, os técnicos da Mercedes quiseram fazer agulha para um comportamento melhor no asfalto, seguindo o movimento SUV. Até a distância ao solo é menor... Venha então comigo ver se este ML está, ou não, melhor.

    Peço desculpa de bater nesta tecla, mas o ML parece-me menos agressivo e sedutor que o anterior. Acho que não foram muito felizes no estilo escolhido para o novo ML, embora ressalve o fato de gostos não se discutirem. Até porque o que está debaixo do manto acaba por “perdoar” este passo em falso.

    Uma das coisas que me chamou a atenção foi a maior facilidade em subir para o interior do ML. Não está tão baixo como alguns SUV rivais, mas com apenas 202 mm de altura ao solo, nunca o ML esteve tão baixo. Porém, pode resolver esta questão aquirindo o pacote “Off Road” (tem de lhe juntar a suspensão pneumática Airmatic, também um extra que custa 2.500 euros) que lhe oferece uma caixa de transferências, proteção inferior da carroçaria, diferenciais central e traseiro bloqueáveis e controlo da altura ao solo (dai ter de comprar a Airmatic) que permite “arregaçar” o ML até aos 285 mm. O pacote custa 2.750 euros.

    Se nada disto faz sentido para si, ou seja, quer um ML apenas porque sim, pode deitar mão à lista de opcionais e adquirir a suspensão desportiva e o sistema “Active Curve System”. Este oferece-lhe barras estabilizadoras ativas nos dois eixos e ajuda a melhorar, muito, o comportamento em estrada... de alcatrão, claro!

    Mais largo, comprido mas bem mais baixo que o anterior ML, o novo modelo não se parece nada com um “verdadeiro” todo-o-terreno e afasta-se das anteriores gerações exatamente por isso. E para não ser desagradável, sempre posso dizer que o Mercedes ML é... conservador. Mas se a Mercedes quer captar a atenção dos clientes mais novos... deveria ter sido mais ousada e não tão conservadora. Adiante.

    No interior, espaço é coisa que abunda e onde a qualidade é percetível e palpável. Sumptuoso em alguns pormenores, o ML não deixa de ter alguns plásticos “menos”, mas no global, a apreciação é altamente positiva. A acessibilidade é boa à frente, mas atrás, a forma da porta leva a que os mais bem servidos em altura possam bater com a cabeça ao entrar.

    Se ultrapassarem essa dificuldade, vão sentar-se em bancos confortáveis e com muito espaço para pernas, ombros e cabeça. O enorme túnel central causa alguns problemas e o terceiro lugar atrás é quase virtual, mas é na frente do condutor que está a maior dificuldade. A coluna de direção está descentrada, ligeiramente, é certo, mas situação bem evidente após algum tempo ao volante. Isto sucede porque a Mercedes teve de fazer aqui um compromisso, pois o sistema de transmissão com redutoras e diferenciais autoblocantes tem generosas proporções. Seja como for... nada de muito grave.

    Outra característica que me deixou boquiaberto foi a ausência de ruído no interior. Segundo a Mercedes, o ML tem uma parede de proteção feita em magnésio que isola completamente o habitáculo do motor, janelas e portas com isolamento triplo e um revestimento pioneiro em spray, aplicado em locais vitais do chassis e carroçaria antes de seguir para a pintura e linha de montagem. O resultado é brilhante, tenho de admitir, com um silêncio a bordo impressionante onde nem sequer o barulho de rolamento dos enormes pneus perturba o ambiente. E em alta velocidade, nem sequer os ruídos aerodinâmicos incomodam!

    Menos bem conseguido é o nível de conforto, culpa da opção da Mercedes em mudar o ADN do ML de todo-o-terreno para SUV estradista. O reforço da rigidez do chassis e as suspensões mais duras fazem com que em pequenos ressaltos se sintam no interior e que bandas sonoras mais agressivas ou buracos mais profundos, façam a suspensão pneumática ressentir-se. Felizmente os bancos são confortáveis e compensam esta menor capacidade para absorver as irregularidades da estrada.

    Utilizado onde agora se sente mais à vontade, o ML consegue ser tão eficaz como a maioria dos seus rivais do segmento, ou seja, impressiona curvar depressa com um veículo tão grande e tão alto,apesar da redução evidente na altura. Pena que a direção não tenha sensibilidade, mas depois do que a marca da estrela fez no sistema do CLS, acredito que brevemente a direção eletro mecânica estará melhor. Não conheço o ML com o sistema “Active Curve System”, mas sem essa ajuda, como já referi, gostei do comportamento do SUV da Mercedes.

    Fora de estrada, com pneus perfeitamente desadequados, as redutoras ajudam, mas o ML não consegue evitar ficar “pendurado” em alguns locais. Porém, a maioria das condições que quem compra estes SUV enfrenta, não são, de forma nenhuma, ameaça e o ML passa com distinção. Só quando as coisas são mais duras é que a coisa se torna complicada.

    O motor V6 de 3.0 litros com 258 CV, fica um bocadinho aquém do que fazem os rivais de Munique, mas ao nível do que fazem os do grupo VW. Porém, isso não se nota muito, pois o bloco Mercedes é muito solícito e a belíssima caixa automática 7G-Tronic com sete velocidades, ajuda a retirar tudo do motor.

    Veredicto
    Se procura um SUV desportivo, procure em outro lado, pois o ML é mais repousado e repousante. Se é alguém que não se importa de pagar mais alguma coisa (este Mercedes ML 350 CDI custa, sem extras, 87.437 euros!) para ter um carro confortável, muito bem construído e que é bom em quase tudo, então este Mercedes é a melhor escolha. Não terá defeitos? Claro que tem. As maiores dimensões tornam-no menos ágil em cidade, o banco traseiro não tem um verdadeiro e utilizável terceiro lugar, e a Mercedes decidiu colocar as redutoras e demais acessórios para todo-o-terreno para um pacote opcional e nem sequer oferece um pneu suplente (nem mesmo como opcional). Mas se olharmos para quem compra este tipo de SUV, tudo isto que acabámos de dizer é despiciendo e o ML 350 CDI volta a ser um dos melhores do segmento.

    José Manuel Costa

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