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    Mercedes S250 CDI: Frugal e… plausível!

    Colocar um bloco de 4 cilindros num Mercedes S seria considerado uma heresia há alguns anos. Agora? É normal…

    17-02-2012 12:00:00

    Diz o povo na sua infinita sabedoria que “em tempo de guerra não se limpam armas” e adaptando o adágio aos tempos que correm na indústria automóvel, “em alturas de crise não se olha aos cilindros”. Este Mercedes S250 CDi sublinha essa adaptação, sendo um topo de gama reconhecido como dos melhores, mas agora com um motor para os dias de crise. A pergunta quês e faz é esta: faz sentido um Classe S com um motor destes?

    Se há uma mão cheia de anos atrás lhe dissesse que a Mercedes tinha colocado um motor de 4 cilindros com 2.1 litros e 204 CV num Classe S, no mínimo estaria a chamar-me nomes ou até a ser simpático de uma forma diferente com as mães de todos os responsáveis da Mercedes. Era, no mínimo, improvável que isso pudesse acontecer.

    Mas como em tudo na vida, na política, no futebol e até nos automóveis, o que hoje é uma verdade inatacável, amanhã pode deixar de o ser e olhando ao crescente aumento do preço do petróleo, à crise generalizada que a Europa e algumas outras partes do globo sentem e à cada vez maior consciência ambientalistas, tudo está colocado em causa.

    A Mercedes reagiu a tudo isto nas suas gamas inferiores, tendo até agora deixado de lado o icónico e venerado Classe S. Até agora…

    Ciente de todas as dificuldades que acima referimos e querendo assumir uma postura mais responsável, a centenária casa de Estugarda decidiu produzir o mais económico e amigo do ambiente Classe S de sempre, aplicando-lhe o excelente motor 2.1 CDI com 204 CV e um binário de 500 Nm. Percas para o S350 CDI equipado com o V6 de 3.0 litros? São menos 60 CV e 120 Nm de binário. Mas não se deixe impressionar pelos números.

    Apesar dos quase 1900 quilogramas que acusa na báscula, o S250 CDi mexe-se com grande à vontade, aproveitando a brilhante forma como a caixa automática 7G-Tronic está escalonada. É verdade que nos arranques o S250 CDI é lento e mostra como a potência não é muita para mexer tamanha massa, sendo mesmo algo frustrante andar n o para/arranca urbano. Porém, saídos da urbe, o S250 CDi usa de forma inteligente o massivo binário disponível logo a baixas rotações, como referimos, graças à fantástica caixa de velocidades.

    É verdade que o ruído do 4 cilindros não é muito agradável numa berlina de luxo como esta, mas verdade seja dita, só dei pelo motor quando em auto estrada decidi puxar por tudo aquilo que ele tem para dar. E fiquei agradavelmente surpreendido com a capacidade de levar toda aquela massa a velocidades acima do recomendável (máximo de 240 km/h) com uma aceleração 0-100 km/h em 8,2 segundos. Mas ainda mais importante são as recuperações quando se deixa cair a velocidade; ai, a caixa 7G-Tronic dá uma boa ajuda e conseguimos rapidamente voltar à velocidade de cruzeiro.

    Como referi, fora da auto estrada, o trabalho de insonorização é brilhante, até mesmo no lado de fora. Apenas se abrir o capot é que o ruído “pobre” do quatro cilindros se nota. Lá dentro, então, desde que não ande a esmagar tudo o que ele tem para dar, é difícil perceber se estamos ao volante de um S250 CDi ou de um S350 CDI. Brilhante!

    Mas o melhor do S250 CDi nem sequer é essa capacidade de oferecer performances suficientes para não embaraçar um utilizador de um Classe S. Já todos conhecem o fausto e a qualidade de um Classe S, com muito equipamento de série, espaço abundante, conforto a rodos e a tal qualidade que faz deste um modelo já emblemático. Mas não, nada disso é o mais importante.

    A melhor característica do S250 CDi é o seu consumo. A Mercedes alega que a média de consumo de gasóleo é de 5,7 l7100 km. Um valor altamente respeitável e que me pareceu impossível de alcançar. Estava completamente errado!!

    Se em cidade e numa utilização mais dura em estrada e auto estrada, o consumo registado ficou nuns, ainda assim, agradáveis 7,6 l/100 km – com picos de 9,1 7/100 km quase a fundo – utilizando uma condução mais serena e amiga do ambiente (mesmo com passagem pela auto estrada) consegui… 5,6 l/100 km! E se usar o S250 CDi em auto estrada cumprindo os limites de velocidade de forma estrita, conseguira uma média impressionante de 5,4 l/100 km.

    Quer isto dizer que graças ao depósito de 83 litros, pode cumprir com todo o conforto e luxo do seu S250 CDI qualquer coisa como 1440 quilómetros. É impressionante! E mesmo que faça a média superior a 6,5 l/100 km, ainda assim terá gasóleo para mais de 1200 quilómetros, ou seja, ir a Madrid e voltar…

    Veredicto
    Falar de economia pode parecer estúpido num carro topo de gama, mas a verdade é que faz todo o sentido numa altura em que todos de uma forma ou de outra sentem a crise. E este Mercedes S250 CDi tem tudo a ver com poupança: custa menos 13 mil euros que o S350 CDi – mesmo assim a fatura final fica nos 95 mil euros! – e tem uma autonomia muito superior. Assim sendo, pelo preço de um carro de luxo, tem direito a performances respeitáveis que nada envergonham e uma economia ao nível dos utilitários, algo que, até agora, nenhum outro rival conseguiu igualar. O resto é “business as usual”, ou seja, muita qualidade, comportamento irrepreensível sem atitude desportiva e um estilo que apesar de contar com alguns anos, continua sedutor, além de um interior espaçoso e bem equipado. E pela primeira vez, abaixo da fasquia dos 100 mil euros…

    José Manuel Costa

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