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    Mercedes SLS AMG Roadster: melhor que o coupé…

    Ensaio completo a um dos mais desejados super desportivos da atualidade, na versão descapotável e que promete muito

    27-01-2012 20:29:10

    Diz o preconceito que um carro descapotável não pode ser melhor ou até igual a um fechado e de certeza que estará a pensar o mesmo. Embora esteja a ler este ensaio porque se trata do Mercedes SLS AMG Roadster, um dos super desportivos mais cobiçados do momento e um verdadeiro carro de sonho. Mas confesse lá… não acredita que este possa ser o melhor SLS, pois não? Eu também não acreditava…

    É verdade que o SLS AMG Roadster ficou sem tejadilho em alumínio e as mais espetaculares que práticas portas asa de gaivota, mas acreditem… não perdeu absolutamente nada! Primeiro porque o desenho com retro inspiração feito pelo inglês Mark Featherstone, ganhou elegância e apelo com a ausência do tejadilho. Isto porque, na minha opinião, a combinação longo capot com traseira curta fica muito melhor sem a “bolha” central, agora substituída por uma capota elegante de três camadas e que se abre e fecha em andamento até 50 km/h e em apenas 11 segundos.

    Confesso que a minha experiência com o SLS AMG Coupé se resume a meia dúzia de quilómetros e nem sequer com andamento suficiente para colocar em alerta o extremamente zeloso ESP. Porém, percebi as capacidades em termos de comportamento, travagem e aderência mecânica do SLS.

    Ora, depois de quase 600 quilómetros ao volante do SLS AMG Roadster, não tenho dúvidas nenhumas: o descapotável é melhor que o coupé! Acredite naquilo que lhe digo, o SLS AMG Roadster é melhor que o SLS AMG Coupe. E a Mercedes acha o mesmo, pois os técnicos da AMG vão incorporar as melhorias feitas na versão Roadster no Coupé.

    Os reforços na estrutura são evidentes na moldura do para brisas e nas embaladeiras, tudo para evitar perder rigidez devido à remoção do tejadilho. A verdade é que estes reforços tornaram o chassis do SLS AMG mais linear no comportamento, mantendo enormes doses de aderência mecânica. Há mais equilíbrio agora e quando puxado para os limites com o excessivamente zeloso ESP desligado (utilizando o Handling Mode), o SLS possui um comportamento sublime.

    É verdade que o poder do V8 6.3 litros colocado a meio do carro, atrás das rodas dianteiras e praticamente no chão, faz o eixo traseiro sofrer bastante e presentear-nos com amplas escorregadelas, mas tudo é controlável e sem surpresas permitindo gerir o nosso talento (ou falta dele…) de forma perfeita.

    A direção possui assistência competente, sendo direta e sensível quase como num carro de competição, sendo que nunca senti no volante o tradicional abanar quando rolamos num descapotável aberto. Ou seja, se há alguma falta de rigidez… nunca senti! Ah e já agora, dizer que o SLS AMG Roadster tem portas “nomais” que são mais leves que as asas de gaivota do coupé (facilitando o acesso, também), os revestimentos das portas são novos, os arcos de segurança maiores, guarda clamas traseiros redesenhados e uma tampa da mala que passa a incorporar a terceira luz de travão.

    Quando rolamos de capota aberta, com o SLS AMG Roadster em modo conforto, é fácil manter uma conversa sem sermos forçados a elevar a voz desde que mantenhamos a velocidade abaixo dos 120 km/h, beneficiando do corta-vento colocado entre os dois arcos de segurança.

    A bagageira não perde capacidade devido à capota, que se arruma imediatamente atrás dos bancos, ficando assim nos 173 litros de capacidade, apenas 3 litros a menos que no coupé. Não que seja importante, mas fica o registo.

    A compostura do chassis e das suspensões, jogando com o AMG Control Ride, permite-nos andar depressa sem ter medo do “bicho mau” que está escondido na frente do SLS. E quando o talento é menor que as capacidades do SLS, basta deixar ligado o ESP. É verdade que é demasiado zeloso e bruto no controlo das escorregadelas, mas pelo menos tem a virtude de poupar o condutor a valentes sustos. 

    Contas feitas e apesar de conhecer menos bem o SLS AMG Coupé, a verdade é que o SLS AMG Roadster me pareceu muito mais composto, equilibrado e fácil de conduzir, com uma direção ótima e um controlo do rolamento da carroçaria impressionante, ao nível de um carro de corridas. E que dizer da travagem? O SLS AMG colocado à minha disposição tinha discos de cerâmica com impressionantes maxilas. A frio a travagem é menos eficaz, mas depois de colocada temperatura nos discos… meu Deus! que impressionante é travar com o SLS AMG Roadster. Pena que sejam um opcional que custa… 11 mil euros!

    Outro ponto onde o SLS AMG Roadster não deixa ninguém indiferente é nas performances. O exercício da aceleração 0-100 km/h é cumprido em meros 3,8 segundos e a velocidade máxima chega aos 317 km/h! E se deixarmos os 571 CV e os 650 Nm à solta, as costas ficam encostadinhas aos excelentes bancos do SLS e em algumas situações, falta-nos o fôlego. Impresssionante!

    Mas aquilo que mais me impressionou no SLS AMG Roadster e deixou todas as pessoas loucas, foi a banda sonora. Como a capota de lona, apesar de três camadas, é mais permissiva ao som que o alumínio do tejadilho do SLS, a gloriosa voz rouca do V8 chega aos nossos ouvidos de uma forma quase orgástica. E com a capota aberta, os “pow, pow” da desaceleração são absolutamente deliciosos e quando aceleramos a sério… uau! é simplesmente glorioso!

    Veredicto

    Impressiona perceber como a Mercedes corrigiu muito bem o tiro depois do SLR,um super desportivo feito com a McLaren que era mais um grande GT e com alguns defeitos estranhos. O SLS é totalmente diferente e impressiona a qualidade do comportamento, a travagem, a linearidade, o refinamento (temos ar condicionado, sistema de navegação e bancos em pele) e o prazer de condução que oferece. Mais espantoso ainda o facto do SLS AMG Roadster ser melhor que o Coupé, ao mesmo tempo que é mais elegante e possui o fator desejo claramente inflacionado. Pena ser um sonho caro, mais concretamente, 255 mil euros que no caso do modelo ensaiado chega aos 300 mil, graças aos extras. Mas, Meu Deus! que carro fabuloso!

    José Manuel Costa

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