A Opel tem justificação para estar orgulhosa com o trabalho feito no Astra GTC, quer em termos de estilo, mas sobretudo em termos técnicos. Tendo a ousadia de ir mais alem que subtrair duas portas ao Astra, o construtor de Russelsheim criou um coupé que desafia modelos como o VW Scirocco.
Falemos então do estilo. Tudo é novo, mas mantendo a mesma linguagem de estilo estreada com o Insígnia. Com uma postura “cab forword”, ou seja, com o habitáculo chegado à frente e uma forma em cunha, o Astra GTC parece em movimento mesmo quando está parado. Por baixo do manto muito agradável e musculado, está um chassis do Astra remodelado, com vias mais largas , suspensões alteradas e o sistema “Hiperstrut”.
Este último foi desenhado para permitir que o eixo vertical da roda esteja sempre otimizado, a carga esteja sempre no local certo, otimizando o controlo do camber e aumentar a aderência e a precisão da direção Ao mesmo tempo, dilui os efeitos do binário na direção Este sistema foi criado para o Opel Insígnia OPC e como verá mais á frente, é muito bom.
Contas feitas, o Astra GTC tem mais 40 mm na via dianteira e 30 mm atrás, está rebaixado 15 mm e a distancia entre eixos tem mais 10 mm, tudo isto em relação a um Astra “normal”.
Para este ensaio, a Opel disponibilizou-me uma versão equipada com o bloco turbodiesel 2.0 CDTi de 165 CV que, se em termos de economia é o melhor que a marca oferece, em termos de performances não é o mais efervescente.
Seja como for, o que mais impressiona no Astra GTC é mesmo o comportamento. Alem de todas as alterações que referi, o sistema FlexRide (com amortecedores adaptativos) é outra ajuda essencial que custa 850 euros e que é quase obrigatório comprar.
Contribuinte para este excelente comportamento é a extraordinária direção A Opel seguiu a moda da assistência elétrica para a direção, mas colocou o motor em cima da caixa de direção e não na coluna, como é habitual. Esta simples alteração, tornou a direção precisa, rápida e, sobretudo, muito sensível. Sabemos quase sempre o que as rodas estão a fazer e quando o ritmo é forte, isso é uma grande ajuda.
Tudo isto permite ao Astra GTC curvar de forma rápida com excelente controlo da carroçaria e grande interatividade com o condutor, particularmente pela direção E quando desejamos andar mais tranquilamente, basta escolher a posição “Tour” no sistema FlexRide e o Astra GTC passa a ser dócil e confortável, especialmente quando a estrada fica demasiado acidentada.
E terá mesmo de escolher o modo “Tour” do FlexRide, pois se o modo “Sport” é duro para controlar de forma evidente o rolamento da carroçaria, quando o Astra GTC está sem a ajuda dos amortecedores ativos, o acerto é a dar para o duro e as jantes grandes com pneus de baixo perfil não ajudam.
O motor diesel, como referi, não é dos mais efervescentes, mas é suficiente para dar ao Astra GTC performances razoáveis como o 0-100 km/h em 8,4 segundos e a velocidade máxima de 210 km/h. Mas a grande vantagem reside mesmo nos consumos, pois o motor diesel consome, em média, 4,8 litros por cada 100 km. Eu não consegui chegar tão abaixo, mas ainda assim consegui uma média no ensaio de 7,1 l/100 km, o que é muito bom pois a maioria do tempo andei a puxar pelo Astra. Quando tentei uma condução mais responsável, os valores ficaram pelo 6,1 l/100 km.
Veredicto
Se é daqueles que não consegue ver mais nada que o símbolo da VW e o Scirocco, este carro por muito bom que seja não o vai agradar. Mas acredite que é tão bom ou melhor que o Scirocco, apenas não é feito pela marca de Wolfsburg. Se, por outro lado, valoriza o comportamento, a ligação homem/máquina e a precisão, o Opel Astra GTC é o carro a comprar. E não sendo esquisito, ainda pode poupar cerca de 3 mil euros em relação ao Scirocco TDi 140 CV e mais de seis mil euros em relação à versão TDi de 170 CV. Por 33.050 euros (mais os 850 euros do FlexRide) o Astra GTC é, também, uma excelente proposta em termos económicos.
José Manuel Costa