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    Primeiro ensaio: Porsche 911 Carrera S

    A enésima versão do 911 está maior e atingiu patamares de excelência nunca antes alcançados. O primeiro ensaio ao novo modelo.

    12-01-2012 22:04:57

    Muitos elogios já foram feitos ao novo 911, que está maior, mais potente e mais equilibrado, apesar de continuar com o motor pendurado atrás das rodas traseiras. Seja como for, o ícone, diz a Porsche, está muito melhor e para tirar as dúvidas fui até Valência onde cumpri o primeiro ensaio ao volante do 911 Carrera S.

    A sétima geração, não há como negar, está muito mais atraente e curvilínea que a anterior, que completou sete anos de vida. Pela terceira vez em sete evoluções, a Porsche mexeu na distancia entre eixos do 911. E mexeu à grande, pois são mais 10 centímetros para oferecer mais espaço no interior e melhorar a dinâmica.

    Alem disso, reduziram-se os avanços dianteiro e traseiro (a distancia que vai do cubo da roda até à extremidade do veículo) e o comprimento total cresceu 56 mm, exatamente o inverso do que sucedeu à altura que encolheu 11 mm. A necessidade de esconder as rodas maiores e a maior largura de vias (mais 50 mm), permitiu que o desenho da equipa de estilo da Porsche liderada por Michael Mauer seja agora mais fluido e curvilíneo, tendo enorme atenção aos detalhes.

    Perdoem-me a imparcialidade, mas o novo 911 é realmente muito bonito e agressivo e a atenção aos detalhes que acima referi, conferem um aspeto mais robusto com uma aparência mais agressiva e atlética.

    Alem de tudo isto, o novo 911 é mais rápido que o seu antecessor, com um 0-100 km/h em 4,3 segundos (menos 0,2 segundos que o antigo Carrera S) e uma velocidade máxima acima dos 300 km/h. E sendo mais “burguês”, o novo 911 é capaz de ser 40 quilogramas mais leve que o anterior.

    Quer isto dizer que a sétima geração do 911 é mais rápida, maior e mais bem comportada que o anterior. Ou seja, é uma verdadeira mudança, talvez a mais importante desde que a Porsche mudou do sistema de refrigeração do motor, de ar para refrigeração líquida em 1996. Acreditem que ainda parado o 911 impressiona... e muito.

    Olhando para o interior, as diferenças começam no novo painel de instrumentos, passam pela consola central e ficam-se por ai, pois tudo o resto é bem familiar e em alguns pormenores percebem-se toques de classicismo que assentam muito bem. No que concerne a qualidade, a Porsche subiu mais um nível, com melhores materiais e construção mais refinada, num habitáculo onde agora há mais espaço... para os lugares da frente, pois atrás tudo fica na mesma. Os bancos até são os mesmos da anterior versão e até me parece que em altura ficou mais acanhado.  .

    Posição de condução perfeita, como sempre, chave no lado esquerdo como manda a tradição e... motor em marcha. Quando liguei o motor fiquei espantado com a tranquilidade e falta de invasão do barulho do “boxer” de seis cilindros no habitáculo. Sinal evidente da maior qualidade da construção, refinamento e, claro, insonorização. E os primeiros quilómetros deixaram-me a pensar que a Porsche ensandeceu, pois desapareceram os barulhos aerodinâmicos provocados pelos espelhos, o motor deixou praticamente de se sentir e os enormes pneus deixaram de se ouvir! Tudo aquilo que era quase imagem de marca do 911...

    Mais! Quando decidimos rolar tranquilamente o 911 nem parece ser um desportivo, tal a forma relaxada como conseguimos levá-lo. Acreditem! até aos 160 km/h, o Porsche 911 ronrona e segue como se fosse um grande GT e não um desportivo de elevadas performances. Isto sucede devido à suspensão revista para este novo modelo, que é mais suave e absorve melhor pancadas e passagens sobre juntas ou buracos.

    Mexendo no PASM (Porsche Active Stability Management) o 911 muda bastante de atitude. No modo normal, o chassis mostra-se dócil e o carro suaviza-se muito. O modo Sport transfigura o 911 e passamos a ter um carro mais duro, com uma direção mais direta e um acelerador muito mais sensível e rápido. Ah! e para que não se fique a pensar que o 911 não faz barulho, existe um dispositivo, com botão na consola e tudo, que nos faz chegar o barulho de forma bem evidente. No modo Sport Plus, a coisa fica ainda mais interessante, com a caixa rapidissima, e a suspensão a controlar de forma perfeita o rolamento da carroçaria.

    Porém, comparando com o anterior modelo, o modo Sport do PASM é muito menos agressivo e é possível cumprir muitos quilómetros ao volante do 911 com o modo Sport ligado. Isto porque o enorme controlo do rolamento e dos movimentos da carroçaria não é feito à custa de extrema dureza. No modo Sport Plus, a coisa é difernete e o conforto é posto de lado.

    Ou seja, andando devagar ou depressa, o 911 reage sempre de forma adequada e segura, sendo um verdadeiro prazer conduzi-lo. E foi logo nos primeiros quilómetros efetuados a ritmo não exageradamente elevado que me apercebi da grande diferença para o anterior 911. A direção!

    A Porsche decidiu adotar uma direção electro mecânica, deixando de lado a unidade com assistência hidráulica, passo que veio acabar com algo que fazia parte do charme do 911. Aqueles que já conduziram anteriores gerações sabem que o volante tinha alguma folga no ponto intermédio sendo a direção extremamente viva e ligeira, características que faziam parte do feitio do 911.

    Pois com esta nova direção que a Porsche assegura ser mais precisa que qualquer outro sistema electro mecânico, isso desaparece e fica realmente estranho andar com um 911 sem o volante a abanar... E se praguejei um pouco quando me apercebi disso, mais tarde acabei por dar a mão à palmatória; a direção do 911 é muito boa e permite maior precisão na colocação da frente e ajuda muito na condução em ritmos mais tranquilos.

    Palavra para a parte mecânica que, no essencial, é a mesma do anterior modelo. Ou seja, o boxer de seis cilindros com 3.8 litros é o mesmo do anterior modelo, mas agora com 400 CV (ou seja, a potencia especifica está acima dos 100 CV/litro) e um binário de 317 Nm. Ora, com menos peso, a relação peso/potência diminuiu e a verdade é que o 911 parece realmente mais ágil.

    Mas, essa sensação não advém apenas do menor peso e da maior potência. A maior distância entre eixos ajuda muito na estabilidade e na maior facilidade em controlar as saídas da traseira e a via dianteira maior permite que a frente fique mais agarrada ao solo e a inserção mais fácil.

    E se optarmos pelo modo Sport Plus do PASM, o 911 continua a manter-se muito composto, com a frente inesperadamente sossegada e a traseira menos interessada em ultrapassar a frente. A travagem continua em nível superior, permitindo-nos chegar bem depressa às curvas, atrasar a travagem e apontar a frente sem queixumes desta, com a traseira a descolar ligeiramente, ajudando a inserção em curva.

    Veredicto

    Contas feitas, o 991 é uma enorme evolução em relação ao 997, sendo melhor em termos de comportamento, refinamento, conforto, espaço e agradabilidade de condução. É mais rápido, mais amigo do condutor e mais estável. E até a nova direção, apesar de não ser tão boa como a anterior, acaba por me convencer. É verdade que o motor não terá a mesma intensidade ou, se quiserem, brutalidade de um bloco da Ferrari ou da Lamborghini, mas Meu Deus! que som lindo, que força e que agradabilidade na condução. É verdade que os mais de 130 mil euros que custa o 911 Carrera tornam-no numa miragem, mas tenho de o dizer: a Porsche, desta feita, excedeu-se e realizou, mesmo, o melhor 911 de sempre. Não posso deixar é de fazer uma pergunta; será possível fazer (ainda) melhor?

    José Manuel Costa

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