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    Renault Megane RS Trophy 265: raro e excitante

    São apenas 500 unidades disponíveis de um modelo que, em relação à versão “normal”, acrescenta mais potência e binário. Terá o equilíbrio sido desfeito?

    21-02-2012 12:00:00

    Mais potência nunca é um problema, mas há automóveis que pela sua qualidade e equilíbrio, quando são “envenenados” acabam por se estragar e perder qualidades. A divisão Renault Sport fez um trabalho brilhante no Megane RS, um exemplo em termos de comportamento em estrada e de prazer de condução. Será que a potência e o binário a mais vieram estragar tudo?

    Este Megane RS Trophy não é mais que apenas uma versão exclusiva com mais potência e binário, além de alguns pequenos retoques estéticos suficientes para a Renaulrt cobrar mais 2 mil euros em relação ao Megane RS normal. Felizmente, a Renault não mexeu em mais nada.

    E digo felizmente, porque o Megane RS tem um dos melhores, senão mesmo o melhor, chassis com tração dianteira à venda no mercado. Melhor que o Mini e até mesmo que o exclusivo e agora peça de coleção, Ford Focus RS. A Renault considerou que as mudanças no motor não necessitavam mexer no chassis e considerou muitíssimo bem.

    Infelizmente, apenas 500 unidades (para já) deste modelo serão produzidas, pelo que talvez não seja fácil ter um destes brinquedos. Mesmo que estejamos em altura de crise… É experimentar se ainda há algum disponível.

    Como seria de esperar, as diferenças entre o Megane RS Trophy 265 e o Megane RS são muito ténues. É verdade que os 265 CV (mais 15 que o Megane RS) e os 481 Nm de binário, notam-se bastante na aceleração e curiosamente, percebe-se que o carro está ainda mais agarrado ao chão e que a potência extra o prepara para devorar o alcatrão á sua frente. Tudo cortesia dos pneus Bridgestone Portenza RE050A, que parecem feitos de cola, sendo os sentidos massajados pelo urro do motor e pelo guinchar mais pronunciado dos pneus quando rolamos em modo de ataque.

    Não envergonhando as borrachas da Michelin ou da Continental, a verdade é que estas borrachas japonesas são a grande diferença para o Megane RS normal, conferindo graus de aderência superiores e uma precisão inigualável. O caro leitor pode até nem se aperceber, mas eu garanto-lhe que se tiver um Megane RS com 250 CV e lhe trocar os pneus por um RE050A – que estão disponíveis como segunda montagem – verá como a frente ganha ainda mais aderência.

    O que os pneus não conseguem apagar é a influência da potência e do binário nas rodas. Quando pregamos o pedal do acelerador no fundo, o Megane desvia-se da trajetória, mas em relação aos seus rivais, muito menos e de uma forma muito mais controlável.

    O comportamento manteve-se intacto, com a frente sempre agarrada ao chão e a traseira composta, surgindo a subviragem apenas quando já estamos para lá dos limites admissíveis. Seja como for, apesar de tudo isto, o Megane RS Trophy continua a ser um carro emocionante, mas perdoador nos limites, o que adiciona muito valor na questão da condução.

    Quer isto dizer que os dois mil euros a mais que custa a versão Trophy pouco ou nada de novo trazem, a não ser uma série de logótipos, um pouco mais de velocidade e a exclusividade de ter um carro produzido, até ver, em apenas 500 unidades.

    Verdicto
    Vale então a pena comprar um Megane RS Trophy? Se tiver 40 mil euros e conseguir achar um à venda, sim vale bem a pena, não só porque fica com um dos melhores (para mim, o melhor) desportivos de tração dianteira, desta feita com rótulo de exclusividade, equipado de série com jantes de 19 polegadas com os pneus Bridgestone RS050A, os bancos Recaro de série e os autocolantes “Trophy” um pouco por todo o lado. Mas, não fique triste se já não encontrar nenhum à venda. Pegue nos dois mil euros que ia gastar a mais, compre os pneus Bridgestone e o Megane RS “normal”. É tão bom como o Trophy, só não é tão exclusivo.

    José Manuel Costa

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