
Donald Trump alertou as principais marcas automóveis a não aumentarem os preços em resposta às tarifas de 25% sobre as importações de carros, informou esta segunda-feira o ‘Wall Street Journal’.
O presidente americano organizou uma videoconferência com CEO de marcas no início de março – Mary Barra (General Motors), John Elkann (Stellantis) e Jim Farley (Ford) estiveram presentes, avançou o ‘New York Times’ – na qual Trump terá avisado os responsáveis que “deveriam estar gratos pela eliminação do que ele chamou de mandato de veículos elétricos do ex-presidente Joe Biden”.
O presidente americano também “fez um longo discurso” sobre como as marcas dos EUA iriam beneficiar das tarifas, defendendo que procurava “trazer a manufatura de volta aos EUA e era melhor para a indústria deles do que os presidentes anteriores”.
“O presidente Trump tem sido inequivocamente claro sobre a necessidade de restaurar a grandeza americana. A América não pode ser apenas uma marca de peças estrangeiras – precisamos tornar-se uma potência de fabrico que domine cada etapa da cadeia de abastecimento de indústrias que são críticas para a nossa segurança nacional e interesses económicos”, reforçou o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, em declarações ao ‘The Independent’. “O Governo Trump está comprometido em concretizar essa visão com uma agenda America First de tarifas, desregulamentação, liberalização da energia americana e cortes de impostos”, acrescentou Desai.
Na mais recente escalada da guerra comercial, Donald Trump confirmou taxas de 25% sobre todas as importações de veículos totalmente montados a partir de 3 de abril. “Acredito que o nosso negócio automobilístico florescerá como nunca floresceu antes”, disse o presidente na passada quarta-feira, acrescentando que pretende que as tarifas permaneçam em vigor até ao final de seu mandato em 2029.
No entanto, responsáveis do setor automóvel em Detroit alertaram que terão de aumentar os preços por causa das tarifas. “Tarifas, em qualquer nível, não podem ser compensadas ou absorvidas”, disse Ray Scott, presidente-executivo da Lear.
O American Automotive Policy Council, que representa a General Motors e a Ford, disse que as marcas dos EUA estão “comprometidas” com a visão de Trump de aumentar empregos locais, acrescentando que era “crítico que as tarifas fossem implementadas de uma forma que evitasse aumentar os preços para os consumidores”.
“Para as concessionárias de automóveis e os seus clientes, já a sofrer com o aumento dos preços de veículos e peças, bem como com as altas taxas de juros e custos de seguro, essas novas tarifas representam um desafio adicional e indesejado à acessibilidade”, explicou o presidente e CEO da American International Automobile Dealers Association, Cody Lusk, salientando que as tarifas também colocarão pressão adicional nas carteiras das famílias americanas. “As tarifas podem contribuir diretamente para milhares de dólares extras nos preços.”