Vendas da Tesla poderão ser suspensas no seu maior mercado de vendas de carros nos EUA

Vendas da Tesla poderão ser suspensas no seu maior mercado de vendas de carros nos EUA

Após ordenar a suspensão por 30 dias da licença de vendas da Tesla na Califórnia, o regulador do estado norte-americano suspendeu a ordem, dando mais tempo à empresa para responder às acusações de marketing enganoso.

Durante anos, diferentes órgãos reguladores contestaram as alegações da Tesla sobre a segurança e a legitimidade das suas capacidades de condução autónoma.

Neste sentido, aliás, a fabricante dos Estados Unidos da América (EUA) tem adotado uma estratégia mais moderada, por via daquilo a que chama sistema Full Self-Driving “Supervisionado”.

Ordem de suspensão da licença de vendas da Tesla na Califórnia

Esta semana, contudo, o Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia (em inglês, DMV) anunciou que um juiz federal ordenou a suspensão por 30 dias da licença de vendas da Tesla no estado por alegadamente enganar o público com o marketing relacionado ao seu Autopilot.

Na altura, segundo avançado, foi definido um prazo de 60 dias para permitir à Tesla cumprir ou recorrer da ordem. Depois disso, poderia enfrentar uma suspensão de um mês num dos seus maiores mercados: a Califórnia.

A Califórnia é o maior mercado de vendas de automóveis nos EUA, responsável por cerca de 11% do número total mundial de veículos elétricos que a Tesla vendeu nos primeiros nove meses de 2025, equivalente a cerca de 135.000 unidades.

Recuo temporário do DMV e condições impostas à Tesla

Entretanto, a Reuters informou que o regulador da Califórnia adiou a ordem para a Tesla suspender as vendas no seu maior mercado dos EUA, dando à empresa mais tempo para responder às acusações de marketing enganoso e exagero das capacidades de condução autónoma. A informação foi dada pelo diretor do DMV, Steve Gordon.

Segundo a agência noticiosa, esta suspensão será um alívio para a fabricante de carros elétricos, uma vez que tem lutado contra uma queda na procura por veículos elétricos, após o fim dos créditos fiscais, que têm sido um importante impulsionador das vendas.

Conforme recordado, em 2022, o DMV acusou a Tesla de induzir os consumidores em erro ao usar as marcas Autopilot e Full Self-Driving para os recursos avançados de assistência ao condutor dos seus veículos.

À juíza Juliet Cox, do Gabinete de Audiências Administrativas, o regulador sustentou que os nomes sugeriam indevidamente que os carros operavam de forma autónoma.

Na altura, um advogado da Tesla esclareceu que a empresa havia explicado “de forma clara e consistente” que os carros com software Autopilot e Full Self-Driving não são autónomos e requerem supervisão.

Regulador dá outra oportunidade à Tesla

A juíza Juliet Cox propôs a suspensão, que o DMV adotou, mas suspendeu-a, logo a seguir, com Steve Gordon a explicar que a agência quer dar à Tesla “mais uma oportunidade de remediar a situação”.

O diretor do DMV espera que, neste tempo, a Tesla encontre “uma forma de corrigir essas declarações enganosas”.

Assim, o DMV suspendeu a suspensão da licença de vendas da Tesla por 90 dias, bem como a sua licença de fabrico por tempo indeterminado.

Para evitar a suspensão, o DMV disse que a Tesla pode apresentar uma declaração, confirmando que deixou de usar o nome Autopilot para o seu software de assistência ao condutor ou confirmando que os seus carros podem funcionar sem monitorização ativa por um humano.

Além disso, o DMV declarou que a Tesla pode recorrer da suspensão ou solicitar uma revisão judicial até 14 de fevereiro.