S1 Vision: o veículo elétrico autónomo que anda numa roda

S1 Vision: o veículo elétrico autónomo que anda numa roda

Os veículos elétricos estão a expandir-se de forma tentacular. Uma spin off alemã apresentou um conceito radical de mobilidade industrial elétrica e autónoma, capaz de transportar cargas entre 220 kg e 131 toneladas.

Uma ideia simples que quebra regras

A S1 Vision GmbH, empresa criada a partir do Liebherr Group, está a desenvolver uma nova geração de veículos elétricos autónomos com uma abordagem pouco convencional.

O S1 Vision elimina tudo o que não é essencial. Um único eixo, duas rodas e ausência total de cabine de condução.

Este desenho minimalista resulta num veículo compacto, altamente manobrável e eficiente, pensado para operar em ambientes onde a maquinaria tradicional tem dificuldades, ou simplesmente não consegue entrar.

Capacidade modular e aplicações transversais

Um dos pontos mais impressionantes do S1 Vision é a sua versatilidade. A capacidade de carga varia entre 220 quilogramas e 131 toneladas, permitindo a sua utilização em múltiplos setores.

Na agricultura de precisão, pode circular entre vinhas ou culturas sensíveis sem compactar o solo, transportando colheitas de forma autónoma.

Na logística industrial, move componentes pesados dentro de armazéns ou centros de distribuição. Em aeroportos, pode rebocar carrinhos de bagagem sem intervenção humana.

O conceito não se limita a uma caixa de carga. O veículo pode transportar, rebocar ou servir de plataforma para diferentes módulos, tornando se uma solução adaptável a contextos muito distintos, desde zonas rurais a grandes infraestruturas industriais.

Tecnologia pensada para terrenos exigentes

O S1 Vision integra um sistema avançado de auto nivelamento, garantindo estabilidade em terrenos irregulares, superfícies macias ou inclinações acentuadas. Um detalhe crítico para aplicações em mineração, construção ou obras públicas.

Outro destaque é o raio de viragem zero. O veículo consegue rodar sobre o próprio eixo, reduzindo manobras, tempo de operação e riscos de colisão em espaços confinados.

A propulsão é totalmente elétrica, o que significa zero emissões locais, menos ruído e custos operacionais inferiores face a máquinas a gasóleo. Num contexto de crescente pressão ambiental e regulamentar, este fator torna se particularmente relevante.

 

veículo elétrico com autonomia, sensores e trabalho em frota

O S1 Vision foi concebido desde início para operar em rede. Integra sensores avançados e sistemas digitais preparados para comunicação entre veículos, permitindo cenários de funcionamento em modo coordenado.

A visão passa por frotas autónomas coordenadas, com movimentos sincronizados, logística otimizada e menor desperdício energético. Não se trata apenas de automatizar uma máquina, mas de redesenhar os fluxos de materiais a partir de uma base digital.

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Desenvolvimento e próximos passos

O projeto resulta de uma colaboração interna pouco comum dentro do grupo Liebherr. A robustez vem da divisão de mineração, a autonomia do segmento de movimento de terras e a integração nasce do trabalho conjunto entre equipas.

Para acelerar o desenvolvimento, foi criada a S1 Vision GmbH como entidade independente, mantendo acesso ao conhecimento e à infraestrutura do grupo. Um modelo híbrido que combina agilidade de start up com capacidade industrial.

O foco atual está na validação em ambientes reais, na evolução da tecnologia de enxame e na adaptação a diferentes setores e enquadramentos legais. A empresa procura parceiros industriais e clientes piloto para co desenvolver a plataforma, assumindo o S1 Vision não como um produto fechado, mas como um sistema evolutivo.

Um papel relevante na descarbonização industrial

O S1 Vision surge num momento em que a eletrificação, por si só, já não é suficiente. A indústria precisa de eficiência sistémica e de processos redesenhados.

Em obras urbanas, pode permitir maquinaria mais compacta e compatível com zonas de baixas emissões. Na agricultura, apoia modelos de produção com menor impacto no solo. Na logística, integra se facilmente em cadeias automatizadas com menor consumo energético.

Não é uma solução milagrosa. Mas é uma peça relevante num setor difícil de descarbonizar. E, muitas vezes, é precisamente dessas peças que nascem as verdadeiras mudanças.