Já ensaiamos centenas de carros, praticamente de todos os segmentos. E há uma alteração que não nos prendeu particularmente a atenção: os retrovisores que projetam a imagem da câmara traseira. Contudo, a tendência parece ser essa, o fim dos vidros traseiros e imagem ali ao pé dos olhos.
Adeus aos vidros traseiros?
O Polestar 4 marcou uma tendência que agora parece estar a ser seguida por outras marcas. Falamos da eliminação do vidro traseiro clássico e da sua substituição por uma nova geração de câmaras e ecrãs de alta resolução.
Muitas pessoas ficaram surpreendidas quando a Polestar apresentou o 4 que, além de integrar tecnologia de última geração, trouxe também um elemento de design tão interessante quanto polémico.
Conforme referimos na apresentação do SUV elétrico de elevado desempenho da marca sueca, esta eliminou por completo o conceito tradicional de vidro traseira. No seu lugar, mais chapa e um sistema avançado de câmaras e ecrãs permitiam ao condutor ver o que se passava atrás do automóvel.
Uma tendência que parece estar a crescer
Na altura do lançamento, colocámos a questão e deixamos já esse vaticínio. Contudo, também deixamos a porta aberta para a avaliação à condição: será que se tratou de uma ideia de design audaz destinada a marcar tendência ou de um grande erro?
Bom, cá estamos de novo, dois anos depois e com o tema a voltar a ganhar atualidade.
Embora não tenhamos visto muitos automóveis de produção a seguir este caminho, para além de alguns modelos da Ferrari, o aparecimento de novos protótipos leva a crer que esta linha de design arrojada está mais próxima da realidade do que parecia.
Eliminar o vidro traseiro pode parecer arriscado, uma vez que compromete a visibilidade traseira. No entanto, como já demonstrou o Polestar 4, esta alteração é compensada por câmaras e ecrãs de alta resolução, capazes de oferecer uma imagem nítida e sem obstruções.
É verdade que, a tecnologia moderna traz outras vantagens adicionais. Os designers ganham maior liberdade para repensar toda a secção traseira do veículo, apostando numa aerodinâmica mais eficiente, em linhas mais ousadas e sem compromissos estruturais, além de eliminarem um componente frágil e dispendioso como o vidro traseiro.
Depois da Polestar, que recorre a uma câmara HD grande angular com transmissão em tempo real para o retrovisor central digital, marcas como Audi e Jaguar começaram também a apresentar as suas próprias interpretações desta nova filosofia de design.
A traseira sem vidro do Ferrari SP48 Unica é um dos elementos mais distintivos deste modelo único, desenvolvido pelo programa Ferrari Special Projects.
Protótipos que apontam o caminho
Dois concept cars chamaram particularmente a atenção nos últimos anos, embora os respetivos modelos de produção ainda não tenham sido revelados. Falamos do Jaguar Type 00 e do Audi Concept C.
No caso do protótipo da marca britânica, esta opção passou quase despercebida devido ao contexto do lançamento e ao rebranding.
Ainda assim, basta observar as imagens para perceber que a longa traseira surge totalmente fechada, essencialmente por uma questão de estilo.
Já no Audi Concept C, a solução passou por três estreitas aberturas horizontais em vez do vidro traseiro tradicional, privilegiando uma abordagem focada nas vantagens aerodinâmicas numa traseira que reflete ambições mais desportivas do que orientadas para o luxo.
Ferrari e a identidade desportiva
Não é possível ignorar a Ferrari. Em alguns dos lançamentos mais recentes da marca, a eliminação do vidro traseiro começa a integrar, de forma progressiva, a sua identidade desportiva.
Existem mesmo três abordagens distintas. O Ferrari 812 Competizione recorre a um painel sólido de alumínio com geradores de vórtices, o Ferrari 12Cilindri apresenta um vidro muito pequeno e quase simbólica, enquanto o Ferrari SP48 Unica aposta numa linha traseira mais esculpida e fluida.
Apesar de aparentar ser uma tendência moderna e consistente, já com exemplos relevantes no mercado, existem ainda aspetos a melhorar. O ecrã elimina uma característica à qual o nosso cérebro está habituado: a perceção de profundidade da imagem.
Os ecrãs atuais ainda não conseguem reproduzir esse efeito de profundidade. Tal limitação pode exigir um período de adaptação do cérebro, havendo quem opte por não os utilizar, por causar estranheza ou mesmo um nível de distração superior.