Numa entrevista, o vice-presidente da equipa automóvel da NVIDIA falou sobre como a Inteligência Artificial (IA) está a mudar o rumo dos carros autónomos, o que essa mudança significará para a Europa, o que faremos quando nos deslocarmos dessa forma e como isso poderá mudar a infraestrutura.
O vice-presidente da equipa automóvel da NVIDIA, Ali Kani, revelou que, em vez de construir seu próprio carro, a empresa desenvolveu o software que fornece a camada de inteligência que as empresas de robotáxis podem adquirir e integrar nas suas propostas.
Afinal, na sua perspetiva, partilhada com a Euronews Next, a IA está a tornar-se um acelerador fundamental por detrás da tecnologia de condução autónoma e poderá reduzir os custos.
Condução autónoma na Europa
Significativamente atrasada na adoção da condução autónoma, sobretudo quando comparada com os Estados Unidos e a China, a Europa enfrenta uma combinação de entraves: regulatórios, culturais e económicos.
A forte fragmentação legislativa entre países, aliada a processos de homologação rigorosos e lentos, tem dificultado a realização de testes em larga escala e a implementação comercial da tecnologia.
Como resultado, apesar da excelência científica e industrial europeia, muitas empresas acabam por desenvolver e testar soluções de condução autónoma fora do continente, comprometendo a competitividade da Europa num setor estratégico para o futuro da mobilidade.
Para Ali Kani, da NVIDIA, apesar da relevância da IA, a Europa encontra-se num momento crítico para determinar como e quando os carros autónomos circularão nas suas estradas.
Precisamos de avançar tão rápido quanto a regulamentação nos permitir, e acho que o que vemos é que ela se está a abrir.
Disse o vice-presidente da equipa automóvel da NVIDIA, prevendo que a condução autónoma de nível 2, que exige que o motorista ainda seja repsonsável por monitorizar a condução, chegue à Europa no final deste ano.
Repensaremos a gestão do nosso tempo
Sobre o nível 4, o executivo não é tão ambicioso, apontando que os veículos que operam de forma totalmente autónoma em determinadas condições poderão ser uma realidade em 2027.
Embora tenha admitido não saber muito sobre a infraestrutura rodoviária da Europa, Kani acredita que não deverá ser necessária uma grande reforma nas estradas europeias para acomodar veículos autónomos. Contudo, prevê que sejam necessárias mudanças nas áreas mais rurais.
Apesar dos potenciais acidentes, esporádicos, Kani partilhou que os veículos autónomos tornam as estradas mais seguras, na medida em que eliminam o erro humano ou a fadiga ao conduzir.
A par disso, deverão exigir uma reforma do planeamento urbano e um repensar da forma como gerimos o nosso tempo. As cidades poderão ser redesenhadas “para que tenhamos mais espaço para as pessoas viverem, [colocando] os estacionamentos mais longe”.
Sinto que há tantas coisas que poderíamos fazer com o nosso tempo se tivéssemos isso [a condução autónoma], e eu adoraria.
Admitiu o vice-presidente da equipa automóvel da NVIDIA, Ali Kani, explicando que, com um veículo autónomo, será possível “trabalhar no carro, ou em viagens mais longas, ou mesmo viajar durante a noite, dormir durante a viagem e chegar ao destino pela manhã”.