Preços do gás disparam 45% após Qatar suspender produção de GNL

Preços do gás disparam 45% após Qatar suspender produção de GNL

A escalada do conflito no Médio Oriente resultou na suspensão da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) na maior unidade mundial pelo Qatar, provocando a subida nos preços europeus do gás natural.

No início da tarde desta segunda-feira, a QatarEnergy anunciou que suspendeu a produção de GNL ligada ao gigantesco reservatório North Field, na sequência de um ataque às suas instalações. A empresa não adiantou detalhes sobre a dimensão do impacto nas operações.

Entretanto, após o Qatar suspender a produção de GNL na maior unidade mundial, os preços europeus do gás natural disparam.

Segundo a Euronews, o preço de referência do gás europeu, negociado no hub neerlandês TTF, chegou a subir 45% para cerca de 46 euros por megawatt-hora nas negociações.

Os preços do gás natural no Reino Unido dispararam, também, com o índice de referência NBP a subir acentuadamente, indo ao encontro dos mercados continentais.

A rede europeia de armazenamento de gás natural é vasta, mas deverá acabar o inverno no nível mais baixo dos últimos anos. Apesar de a União Europeia ter decidido reduzir gradualmente as importações de gás russo até à sua proibição em 2027, essa estratégia está a levar o bloco a trocar a dependência da Rússia por uma crescente dependência dos Estados Unidos no fornecimento de GNL Leia mais aqui.

Europa continua energeticamente dependente

A subida acentuada nos preços ocorre após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, que agravaram as tensões numa região crucial para os fluxos energéticos mundiais.

De facto, uma grande parte do abastecimento energético mundial provém do Médio Oriente e, antes mesmo do anúncio do Qatar, o transporte marítimo de petróleo e gás já estava no centro dos receios dos mercados.

O estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita em grande parte controlada pelo Irão, é um dos principais pontos nevrálgicos do mundo para o transporte de petróleo e de GNL, incluindo exportações do Qatar.

O Irão começou a bloquear o tráfego através do estreito após os ataques, alimentando preocupações com possíveis interrupções de oferta.

Ainda que a Europa não dependa sobretudo do gás do Qatar, analistas alertam que o impacto indireto pode ser significativo, além

Se os fornecimentos para a Ásia forem perturbados, os compradores asiáticos podem procurar cargas alternativas, aumentando a concorrência global pelo GNL, numa dinâmica que tenderia a pressionar os preços à escala mundial, incluindo na Europa.

 

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