Sistema de condução autónoma da Xpeng será uma revolução, diz Morgan Stanley

Sistema de condução autónoma da Xpeng será uma revolução, diz Morgan Stanley

No início deste mês, a Xpeng apresentou o seu sistema VLA 2.0 de condução autónoma e despertou o entusiasmo do banco de investimento Morgan Stanley.

Condução autónoma é o foco de cada vez mais empresas

O investimento na condução autónoma tem crescido de forma exponencial, nos últimos anos, com montantes multimilionários a serem canalizados para investigação e desenvolvimento por parte de fabricantes automóveis e startups tecnológicas.

Empresas como a Tesla, Waymo e Xpeng têm intensificado a aplicação de Inteligência Artificial (IA), sensores avançados e sistemas de visão computacional, enquanto governos e instituições académicas apoiam testes em estradas reais e laboratórios especializados.

Este fluxo de investimento visa não apenas melhorar a segurança e a eficiência da condução, mas acelerar a integração de veículos autónomos em frotas comerciais, serviços de mobilidade urbana e soluções de transporte pessoal, criando um ecossistema tecnológico robusto que promete transformar a mobilidade nas próximas décadas.

Uri Levine, cofundador da aplicação de navegação Waze. Fonte: Jason Alden – Bloomberg/Getty Images via Fortune

Para Uri Levine, cofundador da aplicação de navegação Waze, aliás, a condução autónoma alargar-se-á de tal forma que a próxima geração não precisará de conduzir e a mobilidade será, assim, mais acessível.

Conforme informámos, a previsão do cofundador de uma das aplicações móveis mais conhecidas do mundo da navegação vai ao encontro da perspetiva do presidente de uma empresa chinesa de aluguer de carros, Yu Hongfei, que acredita que “quando os carros não precisarem de ser constantemente controlados por pessoas, poderemos finalmente ter mais liberdade”.

Banco de acredita que sistema da Xpeng será revolucionário

No início deste mês, a Xpeng apresentou a nova geração do seu sistema de condução inteligente, o Vision-Language-Action (VLA 2.0).

He Xiaopeng, presidente e diretor-executivo da Xpeng, a apresentar o sistema VLA 2.0, no dia 2 de março. Crédito: Xpeng, via CnEVPost

Para a Morgan Stanley, trata-se de “um enorme salto em frente”. A renomada empresa norte-americana de serviços financeiros deixou claro que vê na novidade da Xpeng algo mais do que uma simples atualização tecnológica.

Na opinião da empresa, os avanços em IA aplicada ao automóvel permitirão convencer os investidores de que a Xpeng é muito mais do que uma fabricante de carros elétricos.

Durante a apresentação, o presidente e diretor-executivo da empresa automóvel, He Xiaopeng, detalhou as principais características do novo sistema: por exemplo, o VLA 2.0 multiplica por 12 a velocidade de processamento em comparação com a geração anterior, o que, na prática, deverá traduzir-se numa condução mais fluida, mais natural e capaz de gerir melhor situações complexas ou pouco habituais.

Durante a conferência de imprensa, He Xiaopeng afirmou que os testes internos indicam que o VLA 2.0 está quase cinco vezes à frente dos melhores sistemas atuais do setor em parâmetros como:

  • Necessidade de intervenção do condutor;
  • Suavidade da condução;
  • Gama de situações que consegue gerir.

A Morgan Stanley considera que esta evolução coloca a Xpeng numa posição privilegiada para o lançamento de funções de condução autónoma de nível L3 e L4 ao longo deste ano.

Mais do que assistência de condução avançada, o banco vê o VLA 2.0 a servir de base para aplicações de IA física, como robotáxis ou até robôs humanoide.

Apesar de a curto prazo o valor da Xpeng ter sofrido alguma correção, influenciada por tensões geopolíticas e por um início de 2026 mais discreto nas vendas, os analistas confiam que o lançamento de novos modelos, tanto elétricos puros como híbridos, vai impulsionar o aumento das vendas.

Segundo a informação divulgada, o VLA 2.0 chegará primeiro, no final de março, às versões Ultra do novo Xpeng P7, do Xpeng G7 e do Xpeng X9. Os restantes modelos receberão a atualização em abril através de uma atualização de software.

Xpeng também está de olhos postos nos robotáxis

Relativamente aos robotáxis, a Xpeng confia que começará a operar unidades completamente autónomas nas ruas de Guangzhou, na China, assim que o VLA 2.0 estiver totalmente implementado, estando previsto que comecem a circular ainda este ano.

A Morgan Stanley destaca que, embora a implementação inicial seja limitada, a utilização de carros já à venda poderá oferecer uma base económica competitiva para expandir o serviço no futuro.

Com a Xpeng a planear introduzir o VLA 2.0 em mercados internacionais em 2027, a Morgan Stanley considera que se aproxima uma inovação “invertida” na condução autónoma, com a China a marcar o ritmo e a exportar tecnologia para o resto do mundo.