Do tamanho de uma bola de bowling, estas bolas inteligentes fixam-se diretamente nos cabos de eletricidade, ajudando as empresas do setor a gerir de forma mais eficiente a energia e a integrar mais fontes de renováveis no sistema. Entenda como funcionam!
Face aos fortes aumentos das tarifas de eletricidade, reduzir rapidamente os custos de energia tornou-se uma prioridade para os legisladores.
Ao mesmo tempo, os consumidores procuram cada vez mais alternativas energéticas, como a instalação de painéis solares, por forma a estabilizar custos voláteis.
Segundo um artigo da Minnesota Public Radio (MPR), empresas de energia têm, também, explorado outras estratégias, como instalar dispositivos tecnológicos nas linhas de transmissão elétrica, por forma a gerir de forma mais eficiente a energia, bem como integrar mais fontes renováveis no sistema.
Os fornecedores de energia do Minnesota e Wisconsin, nos Estados Unidos, têm trabalhado com a Heimdall Power, uma empresa norueguesa de energia, no sentido de baixar a fatura da eletricidade.
Bolas mágicas instaladas sem interromper fornecimento de eletricidade
Com cerca de 3,6 kg, os sensores inteligentes fornecem uma previsão: ao serem ligados às linhas, avaliam condições como capacidade de carga, temperatura e velocidade do vento, e permitem aumentar a capacidade da infraestrutura existente de forma segura e significativa.
Segundo Priti Patel, da Great River Energy, uma cooperativa de eletricidade do Médio-Oeste, à MPR, as bolas permitiram um aumento médio anual da capacidade de até 60% em determinadas linhas existentes.
O “sensor inteligente” ou “bola mágica” pode ser ligado a linhas de energia elétrica, aumentando consideravelmente a quantidade de eletricidade que podem transportar em segurança. Crédito: cortesia da Minnesota Power, via MPR
Para a sua reportagem, a MPR falou com vários especialistas que explicaram como as bolas mágicas poderiam simplificar e reforçar o setor energético em vários aspetos.
Um dos fatores que contribui para contas de eletricidade elevadas é aquilo a que a MPR chamou de “boom dos centros de dados“, referindo-se ao crescente número de instalações que consomem grandes quantidades de água e energia para alimentar a Inteligência Artificial.
Segundo Sarah Toth Kotwis, do Rocky Mountain Institute, um think tank independente de energia limpa, adicionar nova capacidade à rede pode ser caro e demorado, pelo que tecnologias como a da Heimdall são extremamente valiosas neste contexto, oferecendo aos fornecedores de energia formas de maximizar instantaneamente a infraestrutura existente.
Isto é realmente enorme numa altura em que é muito caro e difícil expandir a rede, mas precisamos disso desesperadamente.
Disse Toth Kotwis, segundo a MPR, descrevendo a tecnologia como “perfeita” para preencher essa lacuna.
Brian Berry, da Heimdall Power, mostra um dos (também chamados) neurons da sua empresa, que se abre como o Pac-Man para se fixar em linhas de transmissão de energia elétrica. Fotografia tirada a 27 de fevereiro por Dan Kraker, da MPR.
De forma simplificada, esta inovação é importante, pois a maioria das linhas de energia tem limites fixos sobre quanta energia pode transportar, baseados em estimativas de temperaturas e condições médias.
Com estes sensores a fornecer dados reais, as redes podem usar mais da capacidade existente sem riscos de sobreaquecimento ou danos, o que pode reduzir a necessidade de construir novas linhas.
Ou seja, as magic balls são sensores inteligentes que tornam a rede elétrica mais flexível e eficiente ao monitorizar em tempo real o estado das linhas de transmissão. Isso pode melhorar a integração de energia renovável e reduzir custos operacionais, ao mesmo tempo que adia ou reduz a necessidade de expansão física da rede.
No Minnesota, estas esferas foram instaladas em dezenas de localizações ao longo de várias linhas congestionadas, algumas vezes com o auxílio de drones, sem ser necessário interromper o fornecimento de eletricidade.