A Europa atingiu um marco histórico na produção de eletricidade verde no primeiro trimestre de 2026, com números impressionantes: mais 15% na solar e incríveis 22% na eólica face ao mesmo período do ano anterior.
Segundo dados da consultora Montel, citados pela agência Lusa, a produção total de energia renovável no trimestre chegou aos 384,9 terawatts-hora (TWh), um valor sem precedentes que resulta de uma combinação perfeita entre recordes solares, uma forte recuperação da eólica e uma hidroelétrica a todo o vapor.
A análise cobre os países da União Europeia (UE), o Reino Unido, a Noruega, a Suíça e a Sérvia.
Eólica lidera e solar bate recordes
A grande protagonista do trimestre foi a energia eólica, responsável por 173,7 TWh gerados, o equivalente a um crescimento de 22% face ao primeiro trimestre de 2025.
A energia hidroelétrica também deu uma resposta sólida, com 128,6 TWh produzidos. Recorde-se que no terceiro trimestre de 2025, a seca tinha feito a produção afundar para os 97,1 TWh.
Desta vez, as chuvas “invulgarmente abundantes” do inverno encheram os reservatórios e trouxeram a produção de volta a níveis normais.
Já a energia solar continua a sua imparável ascensão: os 52,6 TWh registados neste primeiro trimestre são o valor mais alto de sempre para este período do ano, superando em 15% o registado no mesmo trimestre de 2025.
Menos gás, menos dependência dos mercados voláteis
Um dos efeitos mais importantes deste boom renovável foi o amortecimento do impacto do conflito com o Irão nos preços grossistas da eletricidade.
A forte produção verde substituiu a geração a gás, atenuando os picos de preços que se fizeram sentir nos mercado ao longo do trimestre.
Ainda assim, há um dado curioso: apesar dos volumes recorde, a proporção de renováveis no mix elétrico ficou nos 48,8%, abaixo de trimestres anteriores.
Isto deveu-se a um inverno particularmente frio na Europa Central e Oriental, que elevou a procura de eletricidade ao nível mais alto desde 2022, com um aumento médio de 1,4% face a 2025.
Curiosamente, Portugal e Espanha ficaram de fora da onda de frio que afetou grande parte do continente, com o consumo a manter-se estável em termos interanuais. Além disso, a região beneficiou de uma elevada produção solar.
O que se espera para o segundo trimestre?
A Montel avisa que o segundo trimestre pode trazer um “cenário complexo”, com a possível coexistência de “preços mínimos históricos e picos vespertinos recorde”.
Trata-se de um alerta claro para os desafios estruturais que a rede elétrica europeia ainda tem pela frente nesta transição energética.
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