A corrida à inteligência artificial está a criar um problema que já preocupa as maiores tecnológicas do planeta. Falamos da falta de energia para alimentar tantos centros de dados. À medida que modelos como o ChatGPT evoluem, o consumo elétrico dispara e as redes elétricas começam a atingir limites críticos. Este projeto usa a energia gerada pelas ondas do mar e liga-se ao mundo pelos satélites Starlink.
É precisamente aqui que entra a startup norte-americana Panthalassa, uma empresa do Oregon que quer levar os centros de dados para o Oceano Pacífico através de plataformas autónomas gigantescas, alimentadas pelas ondas do mar e ligadas à internet através da rede Starlink da SpaceX.
Um “Roomba” gigante no meio do Pacífico
A ideia parece saída de um filme de ficção científica. A Panthalassa está a desenvolver estruturas flutuantes com cerca de 85 metros de altura, quase do tamanho do Big Ben, que funcionam como centrais elétricas e centros de dados ao mesmo tempo.
A empresa descreve os módulos como uma espécie de “Roomba gigante” autónomo, capaz de navegar sem âncoras no oceano enquanto produz energia através do movimento das ondas.
O sistema funciona de forma relativamente simples:
- Uma esfera flutua à superfície
- Uma estrutura tubular mergulha verticalmente debaixo de água
- O movimento contínuo das ondas faz circular água pressurizada
- Essa pressão aciona turbinas que geram eletricidade 24 horas por dia
A grande diferença face aos sistemas tradicionais de energia das ondas está no facto de a eletricidade não ser enviada para terra através de cabos submarinos. Em vez disso, a energia é usada diretamente no próprio módulo para alimentar chips de inteligência artificial.
IA processada no mar e enviada pela Starlink
Depois de os dados serem processados, os resultados seguem para terra através de ligações de satélite de baixa órbita, usando redes como a Starlink.
Na prática, a Panthalassa quer transformar o oceano num gigantesco centro de dados flutuante, completamente independente da rede elétrica continental.
A ideia já atraiu investidores de peso. Peter Thiel, cofundador da PayPal e da Palantir, liderou recentemente um investimento de 140 milhões de dólares na empresa.
O mar resolve outro grande problema dos centros de dados
Além da energia, existe outro desafio crítico nos centros de dados modernos: o arrefecimento. Os servidores de IA produzem enormes quantidades de calor e obrigam as empresas a gastar milhões em sistemas de refrigeração e água potável.
No oceano, o problema praticamente desaparece. A água fria do mar funciona como um sistema de arrefecimento natural permanente, reduzindo drasticamente os custos energéticos e aumentando a durabilidade do hardware.
Mas há problemas difíceis de resolver
Apesar do conceito impressionante, existem vários obstáculos técnicos importantes.
O primeiro é a ligação por satélite. Embora funcione bem para tarefas simples de inferência de IA, poderá não ter largura de banda suficiente para operações muito mais pesadas, como o treino de modelos avançados.
O segundo desafio é o próprio oceano. Estas plataformas terão de resistir durante anos a tempestades, furacões, corrosão causada pelo sal e movimento contínuo sem manutenção frequente.
Ainda assim, a ideia não é totalmente inédita. A Microsoft já experimentou centros de dados submarinos com o projeto Natick. A diferença é que a Panthalassa quer ir muito mais longe, plataformas autónomas, flutuantes e totalmente desligadas da infraestrutura elétrica terrestre.
O futuro da IA pode estar no mar
As grandes tecnológicas deverão investir mais de 765 mil milhões de dólares em centros de dados apenas em 2026. Perante estes números, procurar energia infinita no oceano começa a fazer sentido.
O objetivo da Panthalassa passa por criar milhares destas plataformas no Pacífico nos próximos anos. Se o projeto funcionar, a empresa poderá ter encontrado uma solução radical para um dos maiores problemas da inteligência artificial moderna, energia barata, limpa e praticamente ilimitada.