Os corpos de bombeiros do Reino Unido responderam a 1760 incêndios relacionados com baterias de iões de lítio em 2025, um a cada cinco horas. Os números mostram um aumento de 147% em apenas três anos.
Telemóveis, escovas de dentes elétricas, brinquedos, cigarros eletrónicos, bicicletas elétricas, trotinetas e veículos elétricos têm algo em comum: todos funcionam com baterias de iões de lítio.
Por serem práticas e eficientes, estão em todo o lado. Contudo, quando algo corre mal, as consequências podem ser devastadoras.
Os dados recolhidos pela QBE junto de 46 dos 52 corpos de bombeiros de Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte mostram que, em 2025, registaram-se 4,8 ocorrências por dia relacionadas com este tipo de baterias, quase o triplo do que se verificava três anos antes.
Bicicletas elétricas no centro do problema
Se os números globais já são alarmantes, o caso das bicicletas elétricas é particularmente grave.
O segmento das e-bikes é responsável por quase um terço de todos os incêndios de baterias de iões de lítio em todo o Reino Unido.
Em 2025, registaram-se 520 ocorrências a envolver e-bikes, face a apenas 149, em 2022. Segundo o The Guardian, o Corpo de Bombeiros de Londres (em inglês, LFB) atendeu 44% destas chamadas, tendo ocorrido 230 incêndios em bicicletas elétricas na capital, no ano passado, e cinco mortes relacionadas, nos últimos três anos.
As autoridades londrinas sublinham que as bicicletas elétricas modificadas ou convertidas com kits não certificados aparecem de forma desproporcional nestas estatísticas, em comparação com os modelos que saem de fábrica com certificação.
O fenómeno da fuga térmica
Para perceber a gravidade destes incêndios, é preciso entender o que acontece quando uma bateria de iões de lítio falha.
O fenómeno chama-se fuga térmica e consiste numa reação em cadeia em que a temperatura interna da bateria sobe sem controlo, libertando gases tóxicos a alta pressão que podem criar uma chama semelhante à de um maçarico.
Em casos extremos, uma fuga térmica pode originar uma explosão.
De acordo com Adrian Simmonds, gestor de risco da QBE Insurance, este tipo de incêndio é substancialmente diferente dos convencionais, pois “a fuga térmica arde de forma diferente, demora muito mais tempo a combater e pode exigir até dez vezes mais água para ser contida”.
Em Glasgow, um incêndio que se crê ter tido origem numa loja de cigarros eletrónicos chegou a devastar um edifício histórico e forçou o encerramento durante duas semanas da Estação Central, o maior terminal ferroviário da Escócia.
Bombeiros no local do incêndio, em Glasgow, em março, que se acredita ter começado numa loja de cigarros eletrónicos. Crédito: Murdo MacLeod/The Guardian
Casas, camiões do lixo e centros de reciclagem
Além de quase metade (46%) de todos os incêndios de baterias de iões de lítio ter ocorrido em habitações, a eliminação incorreta destas baterias tem provocado incêndios graves em camiões de recolha de lixo e em centros de reciclagem por todo o Reino Unido.
Estes incidentes já representam um custo anual que ultrapassa os mil milhões de libras, além dos ferimentos causados a trabalhadores do setor.
Esta é uma área em rápida evolução onde a regulamentação e as orientações não acompanharam a tecnologia.
Afirmou o porta-voz do Conselho Nacional dos Comandantes de Bombeiros (em inglês, NFCC).
O que pode fazer para se proteger?
Num cenário em que baterias de iões de lítio estão por todo o lado, as autoridades recomendam uma série de cuidados:
- Utilize apenas bicicletas elétricas e baterias com certificação;
- Carregue os dispositivos longe das vias de saída de emergência;
- Evite deixar equipamentos a carregar durante a noite;
- Nunca deite baterias usadas no lixo comum.
Relativamente a este último ponto, importa saber que as baterias podem ser recicladas em contentores disponíveis em muitos supermercados.