Irão fechou o Estreito de Ormuz e só passou um superiate de 300 milhões de dólares

Irão fechou o Estreito de Ormuz e só passou um superiate de 300 milhões de dólares

Enquanto petroleiros e cargueiros evitam uma das rotas marítimas mais perigosas do mundo devido ao conflito entre o Irão e os Estados Unidos, um superiate de luxo decidiu fazer precisamente o contrário. O Motor Yacht A, propriedade do magnata russo Andrey Melnichenko, atravessou o Estreito de Ormuz e seguiu viagem rumo às Maldivas.

Um dos corredores marítimos mais perigosos do planeta

O Estreito de Ormuz continua a ser um dos pontos mais críticos do comércio mundial. Cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima passa por este estreito, tornando qualquer perturbação um problema com impacto global nos mercados da energia.

Nos últimos meses, o agravamento das tensões militares levou muitas embarcações comerciais a permanecerem fundeadas durante semanas ou a alterarem as suas rotas.

Os prémios dos seguros marítimos dispararam devido ao risco de ataques, minas navais e operações militares na região.

O Motor Yacht A fez o que quase ninguém quis fazer

Apesar do cenário de elevado risco, o Motor Yacht A deixou o porto Rashid, no Dubai, e iniciou uma viagem cuidadosamente planeada.

Segundo os dados de localização AIS, o iate navegou inicialmente ao longo da costa dos Emirados Árabes Unidos, utilizou o corredor marítimo protegido pelas águas de Omã, permaneceu cerca de dez dias num porto omanita e, posteriormente, retomou a viagem, atravessando a zona de maior tensão em direção ao Mar Arábico.

O destino declarado é as Maldivas.

Um iate que vale cerca de 300 milhões de dólares

Com 129 metros de comprimento, o Motor Yacht A destaca-se por um design futurista assinado por Philippe Starck, o mesmo designer responsável pelo famoso iate Venus, construído para Steve Jobs.

O interior é um verdadeiro hotel flutuante de luxo:

  • Capacidade para 14 hóspedes em sete suites.
  • Tripulação de até 42 pessoas.
  • Três piscinas exteriores.
  • Heliponto.
  • Jacuzzi.
  • Suite principal com cerca de 240 m².
  • Vidros blindados.
  • Escadaria revestida a prata.

O valor estimado ronda os 300 milhões de dólares.

Porque escolheu as Maldivas?

O destino também não parece ser inocente.

Desde o início das sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, as Maldivas têm sido apontadas como um dos locais escolhidos por vários proprietários de superiates russos para manterem as embarcações longe de possíveis apreensões por parte de países ocidentais.

O proprietário continua sob sanções

Andrey Melnichenko e a sua mulher foram alvo de sanções da União Europeia em março de 2022.

Embora o empresário tenha conseguido preservar parte significativa dos seus ativos, outro dos seus gigantes do mar, o Sailing Yacht A, permanece retido no porto italiano de Trieste devido às sanções, numa situação que se prolonga há vários anos.

Não foi o primeiro caso

O Motor Yacht A não é o primeiro superiate russo a desafiar o ambiente de tensão no Estreito de Ormuz.

Em abril deste ano, o Nord, associado ao magnata Alexey Mordashov, realizou uma travessia semelhante entre o Dubai e Omã, demonstrando que algumas embarcações privadas continuam a operar numa região que a maioria da navegação comercial prefere evitar.