A transição para a mobilidade elétrica atingiu um novo marco na Europa. Na Alemanha, país reconhecido como o berço do automóvel, os veículos 100% elétricos tornaram-se a motorização mais popular. O registo de vendas do mês de junho mostra uma mudança real nas preferências dos consumidores e consolida o amadurecimento tecnológico do mercado.
Vendas de carros na Alemanha mudam completamente
O mercado alemão apresentou uma adoção inicial lenta face a outros países europeus. Durante vários anos, mercados de menor dimensão ditaram o ritmo da eletrificação. Após uma quebra nas vendas em 2023, provocada pelo fim dos incentivos estatais, o mercado automóvel alemão recuperou a sua tração. A tendência inverteu-se e os elétricos assumem agora a liderança nas preferências dos condutores.
Os dados do mercado de junho confirmam a alteração nas vendas. Os carros totalmente elétricos a bateria somaram mais de 84 mil unidades vendidas. Este valor superou os veículos híbridos convencionais, que registaram cerca de 83 mil vendas. Os modelos a gasolina ficaram num distante terceiro lugar, com pouco mais de 60 mil carros matriculados, seguidos pelas opções a gasóleo e pelos híbridos plug-in.
Estes valores garantem aos veículos elétricos puros uma quota de mercado de 28,4%. É a maior fatia entre todas as tecnologias disponíveis. Ao somar os híbridos plug-in, a quota dos veículos eletrificados sobe para perto dos 40%. Esta transição refletiu-se de imediato no ambiente. As emissões médias de dióxido de carbono dos carros novos vendidos no país tiveram uma redução homóloga de 13,6%.
Elétricos ultrapassam motores a combustão
Apesar da liderança mensal dos modelos elétricos, as opções a combustão ainda têm um peso considerável. Quando somamos todas as motorizações que utilizam combustíveis fósseis, estas continuam a representar a maioria das vendas no país.
O parque automóvel circulante também espelha esta realidade. Atualmente, os veículos dependentes de baterias representam apenas cerca de 6% do total de carros a circular nas estradas alemãs. A renovação total da frota é um processo inerentemente demorado, uma vez que os automóveis se mantêm em circulação durante anos.
Ainda assim, o registo de vendas de junho marca o início de uma nova fase num mercado tradicionalmente fiel aos motores de combustão. A alteração no padrão de compra prova que os condutores estão recetivos à mudança, mesmo sem os apoios estatais iniciais.