Novo vídeo da Tesla mostra os seus carros a “salvar vidas”

Novo vídeo da Tesla mostra os seus carros a “salvar vidas”

A Tesla partilhou um novo vídeo a demonstrar que o Full Self-Driving (FSD) “salva vidas”, nas suas palavras. A publicação chega no seguimento de um esforço mais amplo da marca para sustentar essa ideia de que o seu sistema autónomo é mais seguro do que a condução manual.

A conta oficial da Tesla no X tem o hábito de partilhar vídeos submetidos por condutores, com travagens de emergência em cima da hora, reações a peões ou animais que surgem de repente, bem como outras situações em que o carro parece ter “visto” o perigo antes do próprio condutor.

Estas imagens, que viralizam na maioria das vezes, procuram reforçar a ideia de que o FSD (Supervisionado) já é um sistema que protege quem vai ao volante.

A publicação mais recente não foge à receita, mostrando o software a antecipar-se várias vezes ao perigo em frações de segundo.

FSD Supervised helps save lives pic.twitter.com/3P7URqnQgO

— Tesla (@Tesla) July 23, 2026

Os números que a Tesla apresenta

Disponível no site oficial da marca, o “Relatório de Segurança dos Veículos com Condução Automatizada Total (Supervisionada)” tenta dar sustento estatístico às imagens que se tornaram virais.

Conforme mostrado, a utilização do FSD da Tesla resulta em:

  • Sete vezes menos colisões graves;
  • Sete vezes menos colisões menores;
  • Cinco vezes menos colisões fora da autoestrada.

Segundo a metodologia descrita pela Tesla, uma colisão é registada quando há acionamento de airbags ou de outros sistemas de retenção não reversíveis, ou quando existe uma alteração de velocidade (Delta-V) igual ou superior a 8 km/h em 150 milissegundos.

A empresa distingue ainda entre “colisões graves” (com acionamento de airbag) e “colisões menores” (sem acionamento), e considera que uma colisão ocorreu “com FSD ativo” sempre que o sistema esteve ligado nos cinco segundos anteriores ao impacto, mesmo que tenha sido desligado mesmo antes de o carro bater.

Com base nestes critérios, a Tesla compara as taxas de colisão dos veículos a circular com FSD (Supervisionado) face à condução manual, com e sem os sistemas de segurança ativa que equipam os modelos mais recentes.

A marca tenta ainda estimar uma “média dos Estados Unidos” de referência, cruzando dados de milhas percorridas da Federal Highway Administration com estatísticas de colisões de bases de dados federais.

Ressalvas dos especialistas

Apesar dos números verdadeiramente promissores, os especialistas são cautelosos.

Uma investigação da Reuters, feita com o apoio de 11 especialistas em segurança rodoviária, concluiu que a Tesla compara colisões que só contabiliza quando há acionamento de airbag com estatísticas federais que incluem qualquer acidente em que o veículo tenha sido rebocado.

Este limiar de gravidade bem mais baixo estreita a alegada vantagem de segurança quando a comparação é ajustada para critérios equivalentes.

Além disso, Phil Koopman, professor de engenharia na Carnegie Mellon University e uma das vozes mais citadas em segurança de condução autónoma, diz que qualquer carro novo é, por natureza, muito mais seguro do que um carro com 12 anos, a idade média usada pela Tesla para representar a “média dos Estados Unidos”.

Neste contexto, Koopman já classificou publicamente relatórios anteriores da Tesla com esta mesma metodologia como mais próximos de marketing do que de uma análise de segurança rigorosa.

A isto soma-se o facto de o FSD tender a ser mais usado em autoestrada e em boas condições meteorológicas, ou seja, cenários estatisticamente mais seguros, enviesando a comparação com a condução manual “média”, que inclui muita mais condução urbana, noturna ou em más condições.

 

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