Um vídeo captado com câmaras térmicas numa estrada tornou-se viral nas redes sociais e mostra uma das maiores diferenças entre carros a gasolina e veículos elétricos: a quantidade de calor que libertam e a forma como esse calor é dissipado.
Partilhado na rede social X, um vídeo mostra o trânsito numa estrada através de uma câmara térmica.
Os carros com motor de combustão surgem com um brilho intenso, especialmente na zona do motor e do sistema de escape, refletindo as elevadas temperaturas destes componentes.
Por sua vez, os veículos elétricos apresentam uma assinatura térmica muito menos intensa. O calor continua presente, em particular no motor elétrico, na eletrónica de potência, no sistema de refrigeração e nas rodas, mas encontra-se distribuído por vários componentes e a temperaturas revelam-se muito inferiores às registadas num motor de combustão e no respetivo sistema de escape.
Apesar da curiosidade, importa ressalvar que uma câmara térmica mostra a temperatura das superfícies visíveis, não medindo diretamente toda a energia consumida ou desperdiçada por um veículo.
Hot Wheels vs. Hot Hoods. The thermal camera knows. pic.twitter.com/DQmKtG3q5k
— Brian Roemmele (@BrianRoemmele) April 15, 2026
A que se deve a diferença detetada pelas câmaras térmicas?
A explicação está na eficiência dos dois tipos de motorização.
Num motor de combustão interna, apenas uma parte relativamente pequena da energia contida no combustível é convertida em movimento.
O restante perde-se principalmente sob a forma de calor, dissipado através do motor, do sistema de escape e do sistema de refrigeração.
Segundo dados da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (em inglês, EPA), apenas cerca de 14% a 30% da energia contida no combustível chega efetivamente às rodas de um automóvel convencional. A maior parte da energia restante é dissipada sob a forma de calor.
O consumo e as perdas de energia variam de veículo para veículo, pelo que estas estimativas são fornecidas para ilustrar as diferenças gerais no fluxo de energia em diferentes tipos de veículos durante diferentes ciclos de condução. Mais dados no website oficial da EPA.
Nos veículos elétricos, por outro lado, o conjunto formado pela bateria, inversor e motor elétrico converte uma percentagem muito superior da energia armazenada em movimento, sendo significativamente mais eficiente do que um motor de combustão.
Além disso, a travagem regenerativa permite recuperar parte da energia cinética durante as desacelerações, reduzindo as perdas energéticas e aumentando a eficiência global do veículo.
Um detalhe que também ajuda a reduzir os custos
Esta maior eficiência não é apenas uma curiosidade visível nas imagens térmicas, tendo também impacto nos custos de utilização.
Como os veículos elétricos desperdiçam significativamente menos energia no sistema de propulsão, o custo por quilómetro tende a ser inferior ao de um automóvel a gasolina ou diesel, em particular quando o carregamento é feito em casa.
Mesmo recorrendo a carregadores públicos, em muitas situações o custo continua a ser competitivo face ao abastecimento de combustíveis tradicionais.
Nas redes sociais, o vídeo gerou muitas reações, com alguns utilizadores a compararem os automóveis a combustão a “aquecedores com rodas”, numa referência à enorme quantidade de calor libertada por motores que funcionam através da queima de combustível.
Já tinha visto esta diferença entre carros a gasolina e elétricos através de uma câmara térmica?