O maior problema dos carros elétricos usados não é a bateria

O maior problema dos carros elétricos usados não é a bateria

Comprar um carro elétrico em segunda mão pode parecer um risco por causa da bateria. Contudo, um novo estudo do Reino Unido revela que os avarias mais frequentes e mais caras acontecem, afinal, noutros sítios.

O mercado de carros elétricos usados está a crescer a bom ritmo, à medida que os primeiros veículos saídos de contratos de leasing e aluguer chegam agora ao mercado de segunda mão.

Para muitos condutores, esta é a oportunidade perfeita para conduzir um carro elétrico a um preço bem mais acessível do que o de um modelo novo.

Ainda assim, o receio da bateria continua a ser comum entre os potenciais compradores, afastando-os de aproveitarem os preços mais baixos praticados no mercado dos usados.

O que diz o estudo da Warrantywise

A seguradora britânica de garantias automóveis Warrantywise analisou os pedidos de reparação de carros elétricos processados entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, e os resultados contrariam, em parte, essa perceção comum.

Segundo os dados recolhidos, as avarias mais comuns não estão relacionadas com a bateria de alta tensão, mas sim com componentes que também existem em qualquer carro a combustão: sensores do sistema elétrico, o mecanismo de fecho centralizado, as suspensões (nomeadamente os braços da suspensão) e a bateria auxiliar de 12V/48V.

Por sua vez, o carregador de bordo, um componente exclusivo dos elétricos, surge na lista dos cinco problemas mais reportados, com um custo médio de reparação de 2158,75 libras (o equivalente a cerca de 2530 euros), o valor mais elevado entre os cinco itens mais comuns.

Afinal, a bateria não é o maior problema

Apesar de as falhas na bateria de alta tensão serem menos frequentes do que muitos condutores temem, a Warrantywise sublinha que este continua a ser um ponto a ter em conta.

Quando uma reparação deste tipo é necessária, o custo médio dispara para 6435,38 libras (o equivalente a cerca de 7535 euros), um valor bastante superior a qualquer um dos outros componentes analisados.

Ou seja, a bateria falha com menos frequência, mas quando falha é a reparação mais cara da lista.

Segundo Anthony Diggins, diretor-geral da Warrantywise, ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre a fiabilidade dos carros elétricos, mas os dados começam a mostrar que as falhas de bateria recebem mais atenção do que aquela que os números, para já, justificam.

Na sua opinião, é o conjunto mais alargado de componentes elétricos, de carregamento e de suspensão que está a gerar mais pedidos de reparação.

De qualquer forma, a Warrantywise alerta que os dados devem ser lidos com cuidado. Como o volume de carros elétricos em circulação ainda é bastante inferior ao dos veículos a gasolina ou gasóleo, os resultados são mais sensíveis a variações no leque de modelos analisados e a reparações pontuais de valor elevado.

Por isso, a empresa classifica esta informação como “direcional”, e não como um retrato definitivo da fiabilidade dos elétricos.

Desmontando em parte o mito de que a bateria é o “calcanhar de Aquiles” dos elétricos usados, o estudo da Warrantywise mostra que as avarias mais frequentes assemelham-se às de qualquer carro a combustão, ainda que, caso falhe, a bateria continue a ser a reparação mais cara.

 

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