A NASA confirmou que, pela primeira vez, os veículos responsáveis por retirar os astronautas em segurança da rampa de lançamento em caso de emergência não serão os habituais blindados militares, mas Cybertrucks da Tesla.
Até agora, sempre que um lançamento tripulado corria mal antes da descolagem, cabia aos veículos MRAP (Mine-Resistant Ambush Protected) tirar a tripulação da zona de perigo.
Estes blindados militares são conhecidos pela sua robustez extrema. Aliás, a NASA já descreveu as suas portas, com 270 kg cada, como tendo “o som e a sensação de uma porta de cofre”, capazes de funcionar como um autêntico bunker mesmo parados.
Contudo, para a missão Crew-13 da SpaceX, agendada para descolar não antes de 12 de setembro de 2026, essa função vai passar para a Cybertruck.
Porquê trocar um blindado por uma pickup elétrica?
Segundo Richard Jones, responsável adjunto do programa Commercial Crew da NASA, a mudança tem que ver com logística.
Em fevereiro, o lançamento da Crew-12 quase coincidiu com os preparativos da missão Artemis II, criando um conflito na disponibilização de recursos partilhados, como os próprios MRAP e as respetivas equipas.
Ao recorrer às Cybertrucks, que a SpaceX já utiliza nos seus próprios lançamentos, a NASA deixa de precisar de mobilizar um MRAP e a sua tripulação dedicada para cada missão.
Além disso, Jones destacou a velocidade. As Cybertrucks conseguem sair da zona de perigo mais rapidamente do que os blindados, e são também mais fáceis de conduzir com luvas, um pormenor relevante considerando que se destinam a transportar astronautas em fatos pressurizados.
E a segurança?
Ao contrário dos MRAP, as Cybertrucks não foram concebidos para resistir a explosões ou detritos de um foguetão em risco.
De facto, questionado sobre eventuais modificações de segurança ao veículo para esta nova função, o responsável adjunto do programa Commercial Crew da NASA confirmou que não foi feita qualquer alteração à Cybertruck.
A isto soma-se o facto de já terem sido registados 11 recalls junto do regulador norte-americano de segurança automóvel (em inglês, NHTSA), por problemas que vão desde o pedal do acelerador que pode ficar preso, a rodas que se podem soltar, passando por falhas no inversor de tração.
Nenhum deste problemas já ocorridos tranquiliza uma equipa cujo objetivo com a Cybertruck é fugir rapidamente de um foguetão em risco de explodir.
Quem vai voar na Crew-13
A tripulação desta missão é composta por Jessica Watkins e Luke Delaney, da NASA, Joshua Kutryk, da Agência Espacial Canadiana, e o cosmonauta russo Sergey Teteryatnikov, da Roscosmos.
Da esquerda para a direita, Jessica Watkins e Luke Delaney, da NASA, Joshua Kutryk, da Agência Espacial Canadiana, e Sergey Teteryatnikov, da Roscosmos, fotografados no Centro Espacial Johnson da NASA, a 3 de agosto de 2026. Crédito: NASA
Após a descolagem, os quatro juntar-se-ão à Expedição 75 a bordo da Estação Espacial Internacional (em inglês, ISS), onde vão participar em investigações científicas e demonstrações tecnológicas relevantes para futuras missões à Lua e a Marte.
Essas incluem fabrico no espaço, verificações de saúde assistidas por Inteligência Artificial e realidade aumentada, e bioimpressão de tecido humano.