Carros elétricos: a regra que pode tornar as viagens de verão mais rápidas

Carros elétricos: a regra que pode tornar as viagens de verão mais rápidas

As viagens de verão podem trazer mais trânsito, temperaturas elevadas e maior procura pelos carregadores rápidos. Para quem conduz um carro elétrico, há uma estratégia simples que pode ajudar a reduzir o tempo perdido nas paragens.

Chama-se regra dos 20% aos 80% e é uma recomendação prática para quem faz viagens longas num carro elétrico. A ideia é iniciar o carregamento antes de a bateria ficar demasiado baixa e, nos carregadores rápidos, interromper a sessão por volta dos 80%, altura em que a potência começa normalmente a diminuir de forma mais significativa.

Desta forma, em vez de permanecer muito tempo parado para recuperar os últimos 20% ou 30% de capacidade, o condutor pode retomar a viagem mais cedo e voltar a carregar mais à frente.

Em viagens longas, esta regra pode ajudar a reduzir o tempo passado nos carregadores, especialmente quando as temperaturas são elevadas e a procura pelas estações aumenta.

Embora útil, não significa que um carro elétrico deva ser sempre carregado apenas dentro desta faixa, tratando-se de uma estratégia para aproveitar melhor o carregamento rápido e regressar à estrada mais depressa.

Importância dos 80%

A potência de carregamento não é constante durante toda a sessão. À medida que a bateria aumenta o seu nível de carga, o veículo tende a reduzir progressivamente a potência. Por isso, os últimos 20% podem demorar bastante mais tempo do que os primeiros.

A Tesla, por exemplo, indica que atingir os 100% demora normalmente significativamente mais do que chegar aos 80%. O Departamento de Energia dos Estados Unidos também explica que a maioria das baterias reduz a potência de carregamento na faixa entre os 80% e os 100%.

Isto significa que, numa viagem, pode ser mais eficiente parar duas vezes e fazer carregamentos mais curtos do que permanecer muito tempo num carregador para levar a bateria até aos 100%. Claro que tudo depende da autonomia do veículo, da distância até à próxima estação e das condições do percurso.

Não é preciso esperar pelos 20%

Sobre os 20%, estes não devem ser encarados como o momento obrigatório, pois, em zonas onde existem poucas alternativas, faz sentido parar mais cedo e manter uma margem de segurança.

Uma vez que a estação existente pode estar ocupada, indisponível ou a funcionar abaixo da potência esperada, ter energia suficiente para chegar a uma alternativa pode evitar uma situação desagradável.

Assim, numa viagem longa, a melhor estratégia passa por planear as paragens com antecedência.

O calor pode influenciar o carregamento do carro elétrico

As temperaturas elevadas também devem ser consideradas. Os carros elétricos modernos dispõem de sistemas de gestão térmica destinados a controlar a temperatura da bateria, mas a velocidade de carregamento depende de vários fatores, incluindo o estado de carga, a temperatura da bateria, a temperatura ambiente e as características do próprio veículo.

A Tesla, por exemplo, confirma que a potência de carregamento pode variar em função da temperatura da bateria e de condições climáticas extremas. O veículo pode, por isso, reduzir a potência quando as condições não são favoráveis.

Isto não significa que um dia quente vá necessariamente tornar o carregamento lento. O comportamento varia de modelo para modelo e depende também da forma como o sistema térmico consegue manter a bateria dentro da temperatura adequada.

E o ar condicionado?

No verão, utilizar o ar condicionado também representa um consumo adicional de energia. No entanto, não existe um número universal de quilómetros que possam ser retirados à autonomia devido à climatização.

O impacto depende de vários fatores, como a temperatura exterior, a temperatura pretendida no habitáculo, a duração da viagem, a velocidade e a eficiência do próprio sistema de climatização. Por isso, mais importante do que tentar evitar o ar condicionado é considerar este consumo no planeamento da viagem e manter alguma margem de autonomia.

A temperatura ambiente é, aliás, um dos fatores considerados pelos sistemas que calculam a autonomia prevista. A Ford inclui a temperatura ambiente, a velocidade e as condições de trânsito entre os fatores que podem influenciar a autonomia estimada de um veículo elétrico.

Carregar um carro elétrico até aos 100% pode fazer sentido

A regra dos 20% aos 80% não deve transformar-se numa obsessão. Se o percurso seguinte for longo, não há qualquer problema em carregar acima dos 80% quando essa autonomia adicional for necessária. O próprio sistema de navegação de alguns veículos calcula o nível de carga necessário para chegar à próxima estação.

Ou seja, não é impreterível respeitar uma percentagem específica, mas importa perceber quando vale a pena continuar a carregar e quando é mais eficiente voltar à estrada.

Durante os meses de verão, planear antecipadamente as paragens, conhecer alternativas e evitar chegar a uma estação com uma bateria demasiado baixa pode tornar a viagem muito mais tranquila.

Por isso, a regra dos 20% aos 80% deve ser entendida como uma estratégia para otimizar o tempo de carregamento, e não como uma obrigação ou uma regra absoluta.