Nova proposta defende limite único de 100 km/h para veículos a combustão na Europa

Nova proposta defende limite único de 100 km/h para veículos a combustão na Europa

Um analista político e ativista pró-NATO da Áustria defende que a Europa deveria adotar um limite de velocidade único de 100 km/h para todos os veículos movidos a gasolina, incluindo camiões, como forma de reduzir a dependência energética, as emissões e os acidentes rodoviários.

Limite de velocidade europeu resolve três problemas

O presidente do Comité Austríaco para o Alargamento da NATO, Günther Fehlinger-Jahn, publicou recentemente no seu Substack um artigo de opinião onde defende que a Europa enfrenta, em simultâneo, três grandes desafios:

  • Dependência energética face ao exterior;
  • Responsabilidade climática;
  • Segurança rodoviária.

Segundo o austríaco, limitar a velocidade máxima nas estradas europeias a 100 km/h pode resolver os três problemas ao mesmo tempo, sem grande complexidade burocrática. A sugestão abrange apenas os veículos a combustão.

A ideia central assenta num princípio de física que dita que o arrasto aerodinâmico aumenta de forma exponencial com a velocidade, disparando o consumo de combustível acima dos 120 km/h.

Segundo Fehlinger-Jahn, um limite de 100 km/h poderia reduzir o consumo de gasolina entre 20 a 30% em autoestrada, traduzindo-se em milhares de milhões de euros poupados e numa menor exposição da Europa a choques energéticos.

🇪🇺 100 KM/H FOR EUROPE!

I call on the European Union to introduce a mandatory European maximum speed limit of 100 km/h on all motorways and major roads.

One Europe should have one clear maximum speed.

Why?

✅ Safer roads — fewer fatal accidents and serious injuries ✅ Less… pic.twitter.com/9iVOzZdyTK

— Gunther Fehlinger-Jahn (@GunterFehlinger) August 14, 2026

Menos petróleo importado e menos dinheiro para regimes autoritários

Um dos argumentos mais fortes do austríaco prende-se com a origem do combustível consumido nas estradas europeias.

Como a gasolina é maioritariamente importada, cada litro gasto acima do necessário representa dinheiro a sair da Europa e a entrar em regiões instáveis ou em regimes que o autor classifica como hostis aos valores europeus.

Nesse sentido, reduzir o consumo através de um limite de velocidade seria, segundo ele, uma forma direta de reforçar a autonomia estratégica europeia, sem depender de subsídios, taxas ou regulação complexa.

Segurança rodoviária e menos poluição com um limite de velocidade único

Além da questão energética, o texto sublinha que a velocidade continua a ser o fator mais determinante nos acidentes fatais na estrada, uma vez que uma velocidade mais elevada implica maior energia cinética envolvida em qualquer colisão.

Por isso, Fehlinger-Jahn defende que um limite uniforme de 100 km/h reduziria significativamente o número de mortes nas autoestradas europeias, citando (sem especificar exemplos concretos) países que já baixaram os seus limites e viram melhorias na sinistralidade.

A proposta traria ainda benefícios ambientais menos óbvios além do CO2, nomeadamente:

  • Menos ruído;
  • Menos poluição do ar;
  • Menos partículas resultantes do desgaste de pneus e travões.

Os carros elétricos ficam de fora

Curiosamente, o limite de velocidade único de 100 km/h não se aplicaria a veículos elétricos. Segundo o autor, os elétricos não devem ser penalizados pelas ineficiências da tecnologia a combustão, pelo que a medida seria dirigida especificamente a carros e camiões a gasolina.

Na prática, isto criaria um incentivo indireto à eletrificação da frota automóvel europeia, sem proibir a venda ou circulação de veículos a combustão.

De acordo com Fehlinger-Jahn, a Autobahn alemã sem limites de velocidade, um símbolo quase cultural na Alemanha, é hoje “uma relíquia ultrapassada da era dos combustíveis fósseis”, incompatível com os objetivos energéticos e climáticos da Europa do século XXI.

Limite de velocidade único é uma ideia com precedentes

Apesar de soar radical, a proposta de Fehlinger-Jahn não é inédita. Em 2022, a própria Comissão Europeia e a Agência Internacional de Energia (em inglês, IEA) já tinham recomendado limites de velocidade mais baixos nas autoestradas como medida de poupança energética, no contexto da crise gerada pela guerra na Ucrânia.

Na altura, a recomendação surgiu na sequência de um apelo de organizações de segurança rodoviária para um limite de 100 km/h em carros e veículos comerciais ligeiros, e 80 km/h em camiões.

A diferença é que essa recomendação era genérica, sem distinguir entre motores a gasolina, diesel ou elétricos, ao contrário da proposta atual do austríaco.

Na redes sociais, Fehlinger-Jahn tem promovido ativamente a ideia, apelando diretamente à União Europeia (UE) para introduzir um limite obrigatório de 100 km/h em todas as autoestradas e vias principais do continente.

A proposta gerou desde logo reações críticas online, com utilizadores a considerá-la excessiva ou pouco realista.