Uma gigante chinesa do vidro automóvel, a Fuyao, terá confirmado que já tem capacidade para produzir em larga escala tetos solares com células fotovoltaicas integradas. A novidade surge depois de vários rumores associarem a tecnologia a modelos da BYD.
A imprensa chinesa adiantou que a Fuyao, uma gigante do vidro automóvel, desenvolveu um teto solar com células fotovoltaicas incorporadas diretamente no vidro laminado do veículo.
Desta forma, a luz solar é convertida em eletricidade, servindo para alimentar sistemas auxiliares do carro.
Esta solução trata-se de um teto solar discreto, cuja energia gerada é usada para equipamentos elétricos a bordo e não para carregar diretamente a bateria de tração.
Em maio de 2024, a Fuyao tinha informado investidores de que possuía capacidade de produção em massa para este tipo de vidro solar, fornecendo-o a fabricantes de automóveis que o solicitassem para os seus programas de veículos.
O anúncio mais recente parece confirmar que a tecnologia está agora a avançar para uma fase de comercialização mais concreta.
O que se sabe (e o que ainda é apenas rumor)
Conforme citado, desde fevereiro, vários meios de comunicação chineses ligados ao setor automóvel têm avançado que este sistema terá sido desenvolvido em conjunto com a BYD, estando destinado aos modelos Han e Tang, como opção adicional a rondar os 8000 yuans (o equivalente a cerca de 1020 euros).
Os mesmos relatos apontam ainda para um pico de potência de 720 W e uma eficiência de conversão de 23,18%, com base em células solares de heterojunção (em inglês, HJT).
Até ao momento, contudo, nenhuma destas informações foi confirmada oficialmente. Numa reunião com investidores, em março, a Fuyao recusou-se a identificar clientes ou a revelar preços, alegando tratar-se de informação comercialmente confidencial.
Capacidade de produção em crescimento
A Fuyao terá revelado também que as suas fábricas em Fuqing Yangxia e Hefei atingiram, cada uma, uma capacidade de produção de três milhões de conjuntos de vidro automóvel até ao final de 2025, com um reforço de produção já previsto para 2026.
Ainda assim, a empresa não esclareceu que fatia desta capacidade estará efetivamente reservada para os tetos solares.
Um complemento ao carregamento com muitas dúvidas à mistura
Importa reforçar que o painel fotovoltaico integrado em veículos (em inglês, VIPV) dificilmente substituirá o carregamento convencional de um elétrico, porque a área de superfície disponível num automóvel de passageiros é limitada.
Por sua vez, estes sistemas procuram alimentar cargas auxiliares de baixa potência enquanto o veículo está estacionado, apoiando sistemas de ventilação, por exemplo.
No caso concreto da BYD, o propósito de carga auxiliar reforça-se. Afinal, com a rede de carregamento ultrarrápido Flash Charging, capaz de entregar até 1500 kW, a marca já oferece tempos de carregamento tão reduzidos que a utilidade prática de um teto solar para ganhar autonomia extra se torna residual.
Entretanto, há quem questione os números avançados pelos meios chineses: partindo de uma densidade de potência de cerca de 150 W por metro quadrado e de uma área de teto de vidro na ordem dos dois a três metros quadrados, o resultado ficaria aquém dos 720 W citados nos rumores.
O anúncio da Fuyao parece confirmar que o fotovoltaico automóvel está a deixar de ser uma aplicação essencialmente experimental para se tornar num produto com potencial comercial real. Contudo, uma vez que os detalhes continuam sem confirmação oficial, importa aguardar mais informações.