Este carro elétrico consegue produzir 400 kWh por ano através do teto solar

Este carro elétrico consegue produzir 400 kWh por ano através do teto solar

Os tetos panorâmicos tornaram-se praticamente obrigatórios nos carros elétricos mais modernos. Contudo, a chinesa Hongqi quer transformar esta enorme superfície de vidro em algo bastante mais útil: um painel solar capaz de produzir eletricidade.

A marca pertencente ao grupo FAW apresentou um protótipo do Hongqi EHS7 equipado com um teto fotovoltaico de perovskite. Em condições favoráveis de exposição solar, o sistema consegue atingir uma potência próxima dos 300 watts e produzir aproximadamente 400 kWh de eletricidade por ano.

Perovskite aplicada diretamente no vidro do carro elétrico

Ao contrário dos painéis solares convencionais, normalmente construídos com células rígidas de silício cristalino, a solução desenvolvida pela Hongqi utiliza células fotovoltaicas de perovskite.

Este material permite fabricar películas solares muito mais finas, leves e flexíveis. Estas características tornam a tecnologia particularmente interessante para superfícies curvas, como tetos panorâmicos, capôs e outras peças da carroçaria.

O protótipo foi instalado no teto panorâmico de um carro elétrico, o Hongqi EHS7, conhecido no mercado chinês como Tiangong 08.

Segundo as informações divulgadas pela marca, esta será a primeira integração de células fotovoltaicas de perovskite num vidro automóvel de segurança com uma superfície de dupla curvatura.

Produção pode chegar aos 300 watts

Com uma exposição solar suficientemente forte, o teto consegue gerar perto de 300 watts de potência instantânea.

A Hongqi estima que o sistema poderá produzir cerca de 400 kWh por ano. Isto corresponde a uma média aproximada de 1,1 kWh por dia, embora a produção real dependa da localização, da estação do ano, da orientação do automóvel, da temperatura e do tempo passado à sombra ou numa garagem.

A eletricidade produzida poderá alimentar alguns dos sistemas auxiliares do automóvel, reduzindo o consumo da bateria principal.

Entre as aplicações mencionadas pela fabricante encontram-se:

  • Ventilação e climatização durante o estacionamento
  • Frigoríficos portáteis instalados no veículo
  • Câmaras de vigilância e modo sentinela
  • Sistemas eletrónicos de baixa tensão
  • Carregamento da bateria auxiliar

A referência ao ar condicionado deve, contudo, ser interpretada com prudência.

Uma potência máxima de 300 watts poderá ajudar a manter a ventilação ou reduzir parcialmente o consumo da climatização, mas dificilmente alimentará sozinha um compressor de ar condicionado automóvel a funcionar na potência máxima.

Características técnicas do teto solar da Hongqi

  • Tecnologia: células fotovoltaicas de perovskite
  • Veículo utilizado: Hongqi EHS7 ou Tiangong 08
  • Superfície: teto panorâmico de vidro com dupla curvatura
  • Potência máxima anunciada: aproximadamente 300 W
  • Produção anual estimada: cerca de 400 kWh
  • Produção média teórica: aproximadamente 1,1 kWh por dia
  • Estado do projeto: protótipo funcionalEntrada em produção: ainda sem data anunciada
  • Utilização atual: alimentação de sistemas auxiliares do veículo

O grande desafio está na durabilidade

A perovskite possui propriedades muito interessantes para a produção de energia solar, mas continua a apresentar algumas limitações importantes.

As células são particularmente sensíveis à humidade, ao oxigénio, à radiação ultravioleta e às temperaturas elevadas. Num automóvel, estas dificuldades tornam-se ainda maiores devido às vibrações, mudanças bruscas de temperatura, lavagens, impactos e exposição constante aos elementos.

O teto solar da Hongqi não transforma o EHS7 num automóvel totalmente independente da rede elétrica. A área disponível num veículo é demasiado reduzida para produzir a energia necessária para substituir os carregamentos convencionais. Ainda assim, a integração das células diretamente no vidro poderá reduzir os consumos parasitas, alimentar equipamentos durante o estacionamento e acrescentar alguns quilómetros de autonomia ao longo do ano.

Para ultrapassar este problema, os investigadores encapsularam as células em várias camadas laminadas no interior do vidro curvo. O objetivo é impedir que a água e o oxigénio entrem em contacto com o material fotovoltaico.

A estabilidade em ambientes húmidos continua a ser uma das principais áreas de investigação das células solares de perovskite, incluindo em projetos apoiados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

400 kWh representam quantos quilómetros?

Caso toda a energia fosse enviada para a bateria de tração, os 400 kWh produzidos durante um ano poderiam representar aproximadamente 2200 a 2800 quilómetros adicionais, considerando um consumo entre 14 e 18 kWh por cada 100 quilómetros.

Na prática, o valor será inferior, porque existem perdas de conversão e parte da eletricidade será utilizada pelos sistemas eletrónicos e pela climatização do automóvel.

Representantes da FAW Hongqi afirmaram que o teto panorâmico fotovoltaico de perovskita do carro elétrico pode atingir uma produção de energia em tempo real de 300 W em condições de “luz solar suficiente”.

Ainda assim, a tecnologia poderá ser especialmente útil para compensar o consumo energético que ocorre enquanto o veículo está estacionado.

Num automóvel com câmaras de vigilância permanentemente ativas, por exemplo, o teto poderá impedir que estas funções descarreguem lentamente a bateria principal.

Hongqi promete até 80 km de autonomia solar por dia

A Hongqi acredita que a tecnologia poderá futuramente ser instalada não apenas no teto, mas também no capô e noutros painéis da carroçaria.

Com uma área fotovoltaica consideravelmente maior, a fabricante estima que um automóvel poderá produzir até 10 kWh de eletricidade por dia.

Segundo as projeções da marca, esta energia poderia acrescentar cerca de 80 quilómetros de autonomia diária e cobrir mais de 85% das deslocações realizadas diariamente pelos condutores chineses.

Convém salientar que estes 80 quilómetros são apenas uma projeção para uma futura aplicação em várias superfícies do automóvel.

O teto apresentado atualmente produz cerca de 400 kWh por ano e não permite acrescentar 80 quilómetros de autonomia todos os dias.