Braga deixa de ter trotinetes partilhadas a partir de hoje

Braga deixa de ter trotinetes partilhadas a partir de hoje

As trotinetes elétricas partilhadas estão a ser retiradas de Braga. A Bolt, atualmente o único operador deste serviço na cidade, está a proceder à recolha das unidades existentes no espaço público, num processo que deverá ficar concluído hoje, dia 1 de setembro.

A decisão foi aprovada pela Câmara Municipal de Braga, em junho, por maioria, com a autarquia a dar um prazo de 60 dias para a remoção integral das trotinetes do concelho.

Segundo fonte oficial da autarquia, a Bolt está a proceder à recolha de todas as unidades do espaço público desde 31 de agosto até 1 de setembro, dentro do prazo definido pela Câmara Municipal.

O município determinou ainda que, terminado esse prazo, poderia avançar para a remoção coerciva das trotinetes, com os custos a serem integralmente imputados à empresa. Segundo o presidente da Câmara, a resolução dos contratos não terá qualquer custo para o município.

Quase 600 trotinetes circulam na cidade

Para o presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, atualmente, as trotinetes são “mais um problema do que uma vantagem para a cidade” e “dificultam mais a vida dos bracarenses do que beneficiam”.

Entre as preocupações apontadas pelo autarca estão os acidentes e o desrespeito pelas normas de utilização. Só este ano, já foram registados na cidade mais de 40 acidentes com trotinetes e velocípedes, “mas sobretudo com trotinetes”, a envolver jovens com menos de 18 anos.

O número de trotinetes partilhadas também aumentou de forma significativa. Quando o sistema arrancou em Braga, há oito anos, existiam cerca de 100 trotinetes. Atualmente, são quase 600.

Também o número de viagens cresceu substancialmente, tendo sido registadas 32 mil viagens em 2023, 63 mil em 2024 e 144 mil no ano passado.

Problemas de segurança na base da saída da Bolt de Braga

Na perspetiva de João Rodrigues, existe um “constante desrespeito” pelas normas que regulam a utilização das trotinetes. Além disso, o autarca acusa as operadoras de não assegurarem mecanismos eficazes de controlo, prevenção e mitigação desses comportamentos.

A proposta aprovada em junho aponta para vários problemas, nomeadamente:

  • Perturbações na segurança rodoviária e pedonal;
  • Degradação ambiental dos espaços públicos municipais;
  • Inexistência de regulamentação municipal específica que permita assegurar, no imediato, a compatibilidade da atividade com o interesse público local.

A decisão de suspender as trotinetes foi aprovada por todas as forças representadas no executivo municipal, com exceção do movimento Amar e Servir Braga, que se absteve.

Apesar da suspensão do atual serviço, a decisão poderá não significar o fim definitivo das trotinetes partilhadas em Braga. Afinal, o PS propôs a criação de um grupo de trabalho alargado para preparar um novo modelo de regulamento para a circulação destes equipamentos.

 

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