Documento confidencial revela reestruturação “sem precedentes” na Volkswagen

Documento confidencial revela reestruturação “sem precedentes” na Volkswagen

A Volkswagen está a preparar uma reestruturação histórica que pode levar ao encerramento de quatro fábricas alemãs e a cortes que ameaçam dezenas de milhares de postos de trabalho. O conselho de supervisão da marca vota o plano em breve, mas a decisão está longe de ser consensual.

Um documento confidencial de 147 páginas, alegadamente obtido pela publicação alemã WirtschaftsWoche, revela os planos do conselho de supervisão da Volkswagen para uma reestruturação classificada como “radical”, “dolorosa” e “sem precedentes na história económica” do grupo.

O objetivo é proteger a notação de crédito da marca e reduzir os custos de financiamento, numa altura em que a concorrência chinesa aperta o cerco ao mercado europeu.

Segundo o documento, intitulado “Relatório sobre a Resolução de Conceito do Conselho de Supervisão”, com data prevista para uma votação no dia 4 de setembro, segundo a Reuters, o encerramento das unidades fabris começaria em 2031 e prolongar-se-ia até 2034.

As quatro fábricas em risco

As primeiras fábricas a fechar seriam Emden e Zwickau, ambas já em 2031. A fábrica de Emden, aberta em 1964, emprega mais de 7700 pessoas e produz os modelos ID.4, ID.7 e ID.7 Tourer.

Já Zwickau, com cerca de 8000 trabalhadores, é responsável pelo Audi Q4 e-tron, Cupra Born e pelos Volkswagen ID.3, ID.4 e ID.5, além de carroçarias para o Bentley Bentayga e o Lamborghini Urus.

Segue-se Hanôver, que encerraria em 2032. A unidade, dedicada à produção de comerciais como a ID. Buzz, veria a produção da sua futura carrinha elétrica transferida para Poznań, na Polónia.

Por fim, a fábrica da Audi em Neckarsulm fecharia em 2034. Com cerca de 15.500 colaboradores, é descrita como um dos maiores empregadores da região de Heilbronn-Franken e produz atualmente os modelos A5, A6, A8 e e-tron GT. A produção do sucessor do A8 seria transferida para Leipzig.

Um aviso que já vinha de trás

Este cenário não inesperado. No início do ano, o diretor-executivo do grupo Volkswagen, Oliver Blume, já tinha alertado, num memorando interno, que a empresa “não consegue confirmar casos de utilização competitivos para as fábricas de Emden, Hanôver, Zwickau e Neckarsulm” ao longo da década de 2030.

Essas declarações motivaram protestos junto à fábrica de Neckarsulm, ainda durante o verão.

Apesar da contestação, a liderança parece decidida a avançar. Os custos gerais do grupo na Alemanha estão, segundo Blume, mais de 30% acima dos praticados por empresas comparáveis, um argumento central para justificar a urgência das medidas.

Para já, nada está fechado na Volkswagen

Importa sublinhar que nada está definitivamente decidido. Afinal, o diretor-executivo tem repetido publicamente que nenhum encerramento de fábrica foi ainda confirmado e que uma “solução inteligente” será sempre preferível ao fecho pura e simples de uma unidade.

Uma versão anterior deste plano de reestruturação terá inclusivamente falhado a aprovação do conselho de supervisão, em julho.

Assim sendo, a votação pode voltar a ficar bloqueada, pois os representantes dos trabalhadores e o estado da Baixa Saxónia controlam, em conjunto, 12 dos 20 lugares do conselho, um número suficiente para travar o plano, tal como já terá acontecido anteriormente.

Além das fábricas, os documentos apontam ainda para a possível venda de participações em ativos como a Ducati, a Traton e a QuantumScape, numa tentativa de reforçar capital e atingir uma margem de lucro de 9%.

O grupo prevê vender cerca de 8,5 milhões de veículos em 2026, uma quebra face aos 8,98 milhões de 2025.

 

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