Desde a semana passada que os londrinos já podem chamar um robotáxi através da app da Uber. É a primeira vez que isto acontece na capital britânica, graças a uma parceria com a tecnológica Wayve. Com 15 viaturas disponíveis, os veículos ainda contam com uma pessoa ao volante, pronta a assumir o controlo se for preciso.
O serviço arrancou há poucos dias e já está ativo, mas quem tentar apanhar um destes veículos não deve criar grandes expectativas, conforme contado pelo The Guardian.
Com apenas 15 carros licenciados, as hipóteses de aparecer um robotáxi disponível são mínimas quando comparadas com as mais de 100 mil viaturas de aluguer privado que circulam em Londres.
Os veículos em causa são Ford Mustang Mach-E modificados com a tecnologia da Wayve, licenciados no mês passado pela Transport for London (TfL) como veículos de aluguer privado. Ainda assim, as condições impostas pela TfL continuam a exigir a presença de um condutor de segurança a bordo.
London, meet your newest way to ride. 🇬🇧
Autonomous rides powered by @wayve_ai are now on Uber. British-built AI. London roads. Same Uber app.
Off we go. pic.twitter.com/xGWTNM7xsm
— Uber (@Uber) September 3, 2026
Ainda falta o salto para o totalmente autónomo
A operação totalmente autónoma, sem qualquer condutor humano, depende de uma autorização à parte, atribuída por outra entidade reguladora, a Driver and Vehicle Standards Agency (DVSA). E essa aprovação não deverá acontecer este ano.
Ainda assim, o lançamento é visto como um marco importante e permite à Uber ganhar vantagem na corrida das tecnológicas pela introdução de táxis autónomos em Londres, considerada um mercado-chave para uma expansão mais ampla pela Europa.
Conforme já vimos anteriormente, tanto a Waymo, da Google, como a chinesa Baidu têm testado os seus próprios robotáxis na capital britânica.
Entusiasmado, o diretor-executivo e cofundador da Wayve, Alex Kendall, mostrou-se orgulhoso por apresentar publicamente, pela primeira vez, a tecnologia “AI Driver” da empresa em Londres, que descreveu como um dos ambientes de condução mais complexos do mundo.
Segundo ele, a tecnologia “ainda está a amadurecer”, evitando avançar uma data para o lançamento de um serviço sem condutor de segurança, mas garantindo que estão “a avançar o mais rápido possível”.
Conforme partilhado pelo líder da Wayve, a empresa está a trabalhar em três frentes ao mesmo tempo:
- A transição para veículos produzidos em massa por fabricantes, nomeadamente novos Nissan Leaf equipados com a tecnologia da Wayve;
- A validação das métricas de segurança nessa nova plataforma;
- A obtenção da aprovação regulatória necessária.
Importa notar que a abordagem da Wayve é diferente da usada por rivais como a Waymo, ou seja, em vez de assentar em mapeamento detalhado das ruas, o sistema baseia-se num modelo de aprendizagem por Inteligência Artificial.
Today, for the first time ever, Wayve and Uber are offering autonomous rides in London from
I took a test ride yesterday
It was VERY eventful pic.twitter.com/MsGgLbMABN
— Rowland Manthorpe (@rowlsmanthorpe) September 3, 2026
Como funciona a experiência
Os carros são chamados e destrancados através da app da Uber, tal como um pedido normal. Ao entrar, o condutor apresenta-se com um discurso robótico preparado para o efeito, explicando que não vai falar durante o trajeto, mas que pode ser solicitado a retomar o controlo do veículo caso o passageiro assim prefira.
Apesar de serem os primeiros táxis autónomos para uso público em Londres, serviços totalmente sem condutor já operam em várias cidades do mundo, especialmente nos Estados Unidos, na China e nos Emirados Árabes Unidos.
Aliás, a Uber já lançou o primeiro serviço comercial de robotáxis na Europa, este verão, em Zagreb, na Croácia, também com condutor de segurança a bordo.
Como está a ser recebido o serviço (quase) autónomo?
Sobre esta estreia, o responsável pela mobilidade autónoma da Uber, Sarfraz Maredia, classificou o lançamento em Londres como um “marco importante” na expansão segura e acessível desta tecnologia numa cidade com ruas particularmente complexas.
Segundo Maredia, a promessa para os consumidores é que, com o tempo, os robotáxis se tornem mais seguros e mais baratos. Para já, contudo, nenhuma operadora consegue oferecer viagens autónomas mais baratas do que as conduzidas por humanos.
Questionado sobre o impacto no emprego dos motoristas, Maredia disse acreditar que estes não ficarão sem trabalho tão cedo, defendendo que a Uber quer continuar a ser uma plataforma onde motoristas humanos e veículos autónomos coexistem, até porque o mercado continua em crescimento.
Já a secretária dos Transportes britânica, Heidi Alexander, saudou o momento como “um marco importante para o futuro dos transportes em Londres”, conforme citado pelo The Guardian, sublinhando o papel da inovação britânica no investimento e crescimento do setor.
Por outro lado, David McMullen, dirigente sindical do GMB, alertou para os riscos sociais e económicos de uma introdução apressada destes veículos, lembrando que centenas de milhares de pessoas vivem da condução profissional.
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