A Renault apresentou oficialmente o Niagara, uma nova pick-up com um motor turbo de 1.3 litros, até 160 cv, tração 4×4 e uma forte aposta na tecnologia. Concebido especificamente para a América Latina, o que podem os portugueses esperar deste modelo?
A Renault apresentou oficialmente o novo Niagara, uma pick-up desenvolvida especificamente para a América Latina, um dos mercados mais dinâmicos para este segmento.
Com um motor 1.3 turbo, até 160 cv, tração 4×4 e uma forte aposta na tecnologia, o modelo combina a robustez esperada de uma pick-up com o conforto e a tecnologia de um SUV.
Voámos até Paris para conhecer esta novidade de perto e perceber, junto de quem sabe, o motivo das escolhas, não apenas em termos de construção e design, mas também de estratégia.
Uma pick-up feita à medida da América Latina
Depois do Oroch, a Renault entra numa nova fase no mercado das pick-ups com o Niagara, resultado de um processo de desenvolvimento conduzido inteiramente na América Latina.
Concebido no centro de design da Renault, no Brasil, o Niagara foi desenvolvido em conjunto pelos centros de engenharia do Brasil e da Argentina e fabricado na Argentina, na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba.
Nas palavras de Jan Ptacek, presidente da unidade do negócio de LCV da Renault, na América Latina, uma pick-up é muito mais do que um veículo de trabalho. Por lá, assume-se como um automóvel para utilização diária, para viagens em família e para momentos de lazer.
Neste contexto, a Renault desenvolveu o novo Niagara, uma pick-up de 4,94 metros de comprimento, ou 4,91 metros na versão 4×2, e 1,72 metros de altura.
O desenho procura transmitir uma presença robusta, com uma frente de grandes dimensões, capô elevado, proteções da carroçaria e uma assinatura luminosa própria. As jantes podem ser de 17 ou 18 polegadas, dependendo da versão.
Motor 1.3 turbo e versões 4×2 ou 4×4
Debaixo do capô está um motor turbo de 1.3 litros com injeção direta (GDi), compatível com gasolina e Flex Fuel, dependendo do mercado. Na versão 4×2 desenvolve 156 cv, enquanto a versão 4×4 chega aos 160 cv. O binário máximo é de 270 Nm.
A transmissão pode ser manual de seis velocidades ou automática Efficiency Dual Clutch (EDC) de seis velocidades, com dupla embraiagem e seletor eletrónico de velocidades (e-shifter).
Para cada modo de condução, a distribuição da tração entre os eixos dianteiro e traseiro é calculada, automaticamente, com base na aderência disponível.
Em condições normais, a potência é transmitida exclusivamente às rodas dianteiras. Se o Niagara começar a perder aderência ou quando a tração atingir os seus limites, parte do binário é automaticamente transferida para o eixo traseiro.
Existem ainda diferentes modos de condução destinados a adaptar o comportamento do veículo às condições encontradas.
A capacidade para sair do asfalto também está refletida nos números. A distância ao solo chega aos 233 mm na versão 4×4, enquanto a versão 4×2 fica pelos 223 mm. O ângulo de aproximação e saída é de 22,1° no 4×4 e 22,3° no 4×2.
Uma caixa de carga pensada para o dia a dia
Além do foco no conforto, a plataforma de carga tem 938 litros de capacidade e suporta até 654 kg.
Conforme destacado por Bruno Raspail, responsável pelo design da pick-up, a Renault equipou-a com uma cobertura deslizante enrolável, que protege a carga da chuva e do pó, ao mesmo tempo que proporciona um acesso rápido à área.
A par disso, oito argolas de amarração, tomada de 12 V, para ligação rápida de ferramentas elétricas ou acessórios, e uma porta traseira elétrica com 1030 mm de largura e 615 mm de altura. A capacidade de reboque anunciada é de 710 kg.
Em destaque, também, um revestimento especial na parte traseira do Niagara, que protege a superfície da plataforma do desgaste causado pela utilização intensiva, enquanto facilita o carregamento e o descarregamento.
No habitáculo há também soluções pouco habituais neste segmento. Por exemplo, atrás da segunda fila de bancos traseiros existe um compartimento de arrumação escondido com 36 litros de capacidade.
Conforto e tecnologia de SUV
Conforme nos foi explicado, em Paris, é no interior que a Renault procura afastar o Niagara das tradicionais pick-ups.
O habitáculo recebe um ecrã multimédia de 10,1 polegadas e um painel de instrumentos digital de 10,2 polegadas.
Dependendo da versão, existem bancos dianteiros com regulação elétrica e iluminação ambiente LED com até 48 cores. O banco traseiro pode reclinar 25 graus e o espaço para os joelhos chega aos 200 mm, valor que a Renault apresenta como o melhor da classe.
Além disso, o Niagara é apresentado como a primeira pick-up a integrar o OpenR Link com Google integrado, incluindo Google Maps, Google Play Store, Android Auto e Apple CarPlay, com e sem fios.
Uma das novidades é a integração do Google Gemini, que funciona como assistente conversacional baseado em Inteligência Artificial.
360 graus e travagem automática em marcha-atrás
Entre os 26 Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor (em inglês, ADAS) disponíveis, encontram-se o controlo de velocidade adaptativo com Stop & Go, manutenção na faixa de rodagem, reconhecimento de sinais de trânsito, deteção de sonolência, travagem automática de emergência e alerta de ângulo morto.
Nas manobras, o Niagara pode recorrer a sensores dianteiros e traseiros, câmara traseira e uma câmara panorâmica de 360 graus, apresentada pela Renault como uma novidade no segmento.
Há ainda estacionamento mãos-livres, alerta de tráfego transversal traseiro e travagem automática de emergência em marcha-atrás.
Um Renault que não foi pensado para Portugal
Apesar da apresentação internacional e da tecnologia que incorpora, o Niagara não está previsto para o mercado europeu.
A Renault desenhou-o especificamente para as necessidades da América Latina, onde Brasil, Argentina e Colômbia são os principais mercados-alvo, com destaque para o primeiro.
O Niagara, que faz parte da ambição da marca de lançar 14 novos modelos nos mercados internacionais, fora da Europa, até 2030, será produzido na Argentina e a Renault prevê a sua chegada aos mercados latino-americanos até ao final de 2026.
Não obstante, funciona como uma montra daquilo que a Renault está a preparar para os seus mercados internacionais, bem como da capacidade tecnológica e de engenharia da marca.
Ou seja, funciona como uma janela para a estratégia global do grupo Renault, mostrando até que ponto uma única plataforma (a RGMP) consegue gerar SUVs, crossovers e agora também pick-ups para diferentes continentes, otimizando custos e escala industrial.
Para o consumidor europeu, isso traduz-se indiretamente em mais opções e em atualizações tecnológicas partilhadas nos modelos que efetivamente cheguem cá.





