Esta notícia aparece primeiro no AutoGear, em autogear.pt: Toyota 1/X: o protótipo híbrido de 420 kg que queria gastar apenas 2,2 l/100 km.
Muito antes de os automóveis elétricos compactos começarem a aproximar-se das duas toneladas, a Toyota já procurava uma solução bem diferente para reduzir o consumo: tirar peso aos carros. O resultado foi o 1/X, um protótipo apresentado em 2007 que combinava tecnologia híbrida plug-in, um motor de apenas dois cilindros e uma massa de 420 kg.
O conceito, apresentado no 40.º Salão de Tóquio, partia de uma ideia simples: reduzir drasticamente o consumo do então pioneiro Prius sem sacrificar o espaço disponível para os passageiros. A Toyota apontava para um consumo de apenas 2,2 litros aos 100 km, praticamente metade dos 5,1 l/100 km anunciados pelo Prius da época.
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E fê-lo através de uma receita que hoje continua a parecer surpreendente: um automóvel com apenas 3,90 metros de comprimento, capaz de transportar quatro ocupantes e que pesava pouco mais de 400 kg.
Espaço de um Prius num carro de 3,90 metros
Apesar das dimensões compactas, a Toyota não quis transformar o 1/X num pequeno citadino com um habitáculo apertado. A solução passou por aproveitar ao máximo a arquitetura do veículo.

A distância entre eixos chegava aos 2,60 metros, um valor generoso para um automóvel com apenas 3,90 metros de comprimento. A disposição do sistema de propulsão também ajudava: grande parte da mecânica estava concentrada sob os bancos traseiros, libertando espaço no habitáculo. A Toyota explorou ainda as possibilidades oferecidas pela tecnologia híbrida plug-in. Com uma maior contribuição do motor elétrico, foi possível reduzir significativamente o motor de combustão, que tinha apenas dois cilindros e 500 cm³.
Um motor que podia funcionar com gasolina ou bioetanol
O pequeno motor de combustão não era apenas compacto. Foi concebido como um propulsor flex-fuel, podendo funcionar tanto com gasolina convencional como com bioetanol.
A combinação entre o motor de dois cilindros e o sistema elétrico permitia ao 1/X cumprir os objetivos de desempenho definidos pela Toyota, enquanto a tecnologia híbrida plug-in aumentava as possibilidades de circulação em modo exclusivamente elétrico.

A bateria podia ser carregada durante a utilização através da recuperação de energia nas travagens, mas também através de uma tomada doméstica. Desta forma, o protótipo conseguia reduzir a utilização do motor de combustão e, consequentemente, as emissões de CO₂.
O segredo estava nos 420 kg
Se a motorização já era pouco convencional, o verdadeiro exercício de engenharia estava na construção do próprio automóvel.
O Toyota 1/X pesava apenas 420 kg, uma massa extraordinariamente baixa quando comparada com os automóveis atuais e que representava pouco mais de um terço do peso do Prius daquela época.
Para atingir esse valor, a Toyota recorreu de forma intensiva a materiais compósitos de fibra de carbono. A estrutura portante e elementos importantes da carroçaria utilizavam este material de elevada resistência, numa abordagem semelhante à encontrada nos chassis monocoque dos monolugares de Fórmula 1. Mas não era apenas a estrutura que tinha sido alvo de uma dieta rigorosa.

Os bancos utilizavam um material de malha que permitia reduzir a espessura e o peso sem comprometer o conforto. Até o teto foi desenvolvido com materiais especiais inspirados na estrutura das fibras vegetais, permitindo simultaneamente reduzir a massa e proporcionar uma entrada de luz natural mais suave no habitáculo.
Pneus estreitos e um teto pensado ao detalhe
A preocupação ambiental estendia-se a praticamente todos os componentes do protótipo.
A Toyota equipou o 1/X com pneus particularmente estreitos e jantes desenvolvidas especificamente para o modelo. A ideia não era apenas reduzir a resistência à rodagem: em piso molhado, estes pneus levantavam menos água, contribuindo para manter a visibilidade dos veículos que circulavam atrás.
Até a experiência acústica a bordo foi repensada.
O protótipo tinha pequenos microfones que funcionavam como uma espécie de “ouvidos” eletrónicos. O sistema captava os sons do exterior e podia reproduzir seletivamente no habitáculo determinados sons do ambiente, especialmente em circulação urbana.
Ao mesmo tempo, os ruídos considerados desagradáveis eram filtrados.
Um conceito que estava muito à frente do seu tempo
O Toyota 1/X era, acima de tudo, um exercício de engenharia. Em vez de aumentar a potência, a bateria ou o tamanho do automóvel para conseguir melhores consumos, a marca japonesa seguiu o caminho oposto: menos peso, menor motor e maior eficiência.
Quase duas décadas depois da sua apresentação, o protótipo continua a ser um exemplo curioso de como a redução de massa pode ter um impacto significativo na eficiência de um automóvel.
Com 3,90 metros, quatro lugares, tecnologia híbrida plug-in, um motor de 500 cm³ e apenas 420 kg, o 1/X mostrou em 2007 que a eficiência podia começar muito antes de chegar à bateria: podia começar na balança.
Toyota 1/X: o protótipo híbrido de 420 kg que queria gastar apenas 2,2 l/100 km - AutoGear.