Assassinatos, sabotagem e terrorismo: o que é a Unidade 29155, a força secreta de Putin usada para desestabilizar o Ocidente

Numa altura em que vários líderes europeus alertam para uma alegada campanha russa de “guerra híbrida” contra o Ocidente — acusações que Moscovo rejeita —, a existência e a atividade desta unidade voltaram a estar em destaque.

Assassinatos, sabotagem e terrorismo: o que é a Unidade 29155, a força secreta de Putin usada para desestabilizar o Ocidente

Assassinatos, sabotagem, terrorismo e operações clandestinas em território estrangeiro. É este o tipo de missões atribuído à Unidade 29155, uma estrutura ligada aos serviços de informações militares russos que tem sido apontada como um dos instrumentos utilizados por Moscovo em operações destinadas a desestabilizar países ocidentais.

Numa altura em que vários líderes europeus alertam para uma alegada campanha russa de “guerra híbrida” contra o Ocidente — acusações que Moscovo rejeita —, a existência e a atividade desta unidade voltaram a estar em destaque.

Segundo o 20minutos, que cita informações publicadas pelo jornal britânico The Sun, a Unidade 29155 opera na órbita da Direção-Geral de Informações Militares da Rússia, a GRU, e tem como missão infiltrar-se em países europeus para realizar operações clandestinas, incluindo ações de sabotagem.

Os seus membros são frequentemente descritos como os “fantasmas do Kremlin”, devido à natureza secreta das operações que lhes são atribuídas.

O “trabalho sujo” da Rússia no estrangeiro

Kamil Zwolski, professor associado e titular da cátedra Jean Monnet de Segurança Europeia na Universidade de Southampton, considera que a importância da Unidade 29155 deve ser analisada no quadro mais vasto da estratégia utilizada pela Rússia para atingir objetivos fora das suas fronteiras.

Em declarações ao The Sun, o especialista descreve as tarefas atribuídas a unidades de elite deste género como uma espécie de “trabalho sujo por medida”.

A Unidade 29155 é apresentada como uma estrutura composta por operacionais especializados em assassinatos, sabotagem e ações terroristas, atuando sob a estrutura da GRU, o serviço de informações militares das Forças Armadas russas.

A lógica passa por recorrer a operações que não correspondem necessariamente a um confronto militar convencional, permitindo exercer pressão ou provocar instabilidade fora da Rússia.

É precisamente este tipo de atuação que tem alimentado as acusações de vários responsáveis europeus sobre a existência de uma estratégia de “guerra híbrida” promovida por Moscovo.

O Kremlin tem negado oficialmente estar envolvido numa campanha destinada a desestabilizar o Ocidente.

Ucrânia entre os principais palcos de atuação

Uma parte significativa da atividade atribuída à Unidade 29155 terá ocorrido na Ucrânia.

De acordo com a informação citada pelo 20minutos, os seus operacionais foram enviados para o país no âmbito de uma missão da GRU destinada a apoiar a insurgência no leste ucraniano liderada por paramilitares do grupo Wagner.

A atuação na Ucrânia insere-se, assim, no tipo de operações clandestinas que são atribuídas à unidade e que combinam informações militares com ações realizadas fora dos métodos tradicionais de combate.

FBI ofereceu 10 milhões de dólares por informações

A atividade atribuída à Unidade 29155 levou também as autoridades americanas e europeias a tomarem medidas contra os seus alegados membros.

Em agosto de 2024, o FBI anunciou uma recompensa de 10 milhões de dólares por informações relacionadas com agentes cibernéticos associados à unidade.

A União Europeia avançou posteriormente com sanções contra membros individuais da estrutura, em janeiro de 2025.

A Unidade 29155 permanece, desta forma, associada às acusações de que Moscovo recorre a operações clandestinas para alcançar objetivos estratégicos no estrangeiro, num contexto em que os países europeus têm vindo a alertar para ameaças que vão além do confronto militar convencional e que a Rússia continua a negar.