Racionamento de combustíveis em Portugal? Reservas estão em níveis “excecionalmente baixos” e setor deixa alerta

António Comprido chama a atenção para os danos já provocados nas infraestruturas energéticas e para o tempo necessário para recuperar a capacidade afetada

Racionamento de combustíveis em Portugal? Reservas estão em níveis “excecionalmente baixos” e setor deixa alerta

As reservas de combustíveis que ajudaram Portugal a amortecer o impacto da guerra entre os EUA e o Irão estão a aproximar-se de níveis preocupantes. O alerta é deixado por António Comprido, presidente da EPCOL – Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes, que admite que um prolongamento do conflito poderá acabar por obrigar a medidas destinadas a reduzir a procura.
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“Tínhamos reservas excecionalmente altas no início da guerra no Irão. Essas reservas estão neste momento a níveis excecionalmente baixos. Estivemos a consumir as poupanças. Temo que essas almofadas estejam a esgotar-se”, afirmou António Comprido no programa “Consulta Pública”, da ‘RTP Antena 1’.
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Questionado sobre a possibilidade de ser necessário avançar para algum tipo de racionamento dos combustíveis, o responsável não afastou um agravamento da situação, embora sublinhe que, neste momento, não são antecipadas dificuldades de abastecimento de gasolina e gasóleo nos próximos meses.
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“Não estou muito otimista. Não vejo com muito otimismo o que se irá passar nos próximos meses”, reconheceu.
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Danos provocados pela guerra vão demorar meses a reparar
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A preocupação não resulta apenas da duração desconhecida do conflito. António Comprido chama a atenção para os danos já provocados nas infraestruturas energéticas e para o tempo necessário para recuperar a capacidade afetada.
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“Primeiro não sabemos quando vai acabar, a imprevisibilidade é total. Segundo, já causou danos que vão demorar meses a reparar porque destruir um oleoduto, destruir instalações portuárias, danificar uma refinaria não é algo que se consiga resolver em dias, isto vai demorar meses”, explicou à RTP.
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É precisamente o desaparecimento progressivo das reservas acumuladas antes do conflito que aumenta a preocupação.
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“Estou um pouco pessimista. Temo que, a prolongar-se muito mais a situação, poderemos deixar de ter as tais almofadas que permitiram amortecer o choque”, acrescentou.
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No limite, o presidente da EPCOL admite que a situação possa obrigar a atuar sobre o consumo. No caso do gasóleo e da gasolina, afirmou que “em última análise pode levar à necessidade de alguns ajustamentos do lado da procura”.
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Isso não significa, contudo, que Portugal esteja perante uma situação iminente de falta de combustíveis. António Comprido salienta que “neste momento, não antevemos qualquer dificuldade para os próximos meses”, uma vez que as refinarias conseguem procurar crude noutras regiões que não o Médio Oriente.
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Jet fuel pode enfrentar limitações a médio prazo
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Há, porém, um produto que suscita maior preocupação: o combustível utilizado pela aviação.
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Segundo António Comprido, o jet fuel “poderá (espero que não), mas poderá ser um dos produtos – não digo que vá faltar – mas poderá apresentar algumas limitações a médio prazo e não imediato”.
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A distinção é importante: o responsável não antecipa neste momento uma falta de gasolina ou gasóleo, mas reconhece que a margem de segurança proporcionada pelas reservas está a diminuir e que determinados produtos poderão ficar mais expostos caso o conflito se prolongue.
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Preço da eletricidade também pode voltar a subir
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As consequências da crise energética podem igualmente chegar à fatura da eletricidade.
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Nuno Ribeiro da Silva, presidente do Conselho Consultivo da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), explicou à ‘RTP Antena 1’ que existe “alguma pressão resultante do gás natural”.
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“As centrais que queimam gás natural são elas que definem o preço grossista da eletricidade. E se o preço do gás natural, que é queimado nessas centrais, aumenta, aumenta o custo médio de produção de eletricidade”, explicou.
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Questionado sobre a possibilidade de novos aumentos no preço da eletricidade, Nuno Ribeiro da Silva admitiu esse cenário: “Poderemos ter, aí poderemos ter. A questão do gás é uma questão crítica.”
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Apesar da pressão sobre os preços, o responsável não identifica atualmente uma situação de escassez física de gás natural, embora considere que este recurso está “sob maior pressão do que os derivados do petróleo”.
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“Ir para a fila da bomba” não está no horizonte
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Nuno Ribeiro da Silva também afasta, para já, um cenário de falta física de petróleo ou dos seus derivados.
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Sobre a recomendação da Comissão Europeia para que os Estados-membros reduzam o consumo de energia, considera razoável incentivar famílias e empresas a utilizarem a energia de forma mais eficiente, mas não interpretar esse apelo como sinal de que a Europa esteja prestes a ficar fisicamente sem energia.
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Uma utilização mais racional permitiria, argumenta, diminuir o consumo global e reduzir a vulnerabilidade da União Europeia, fortemente dependente da importação de matérias-primas energéticas.
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Nos combustíveis, porém, haverá consequências económicas. “Vamos ter impacto nos preços”, afirmou.
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O cenário mais extremo continua, contudo, afastado: “Agora chegar a uma situação em que temos de ir para a fila da bomba da gasolina à espera que chegue o último carregamento de gasóleo ou de gasolina, não é um cenário que esteja no horizonte”, garantiu à RTP.